Envolvidos em torneios, manipulação genética, lucro e paixão pela natureza, criadores de aves reinventam a profissão de ornitólogo
Há alguns anos, ornitólogo era o amante da natureza que ia ao campo de bonezinho e binóculo observar passarinhos. Hoje, esse tipo está sendo substituído por outro mais comercial. Só no Brasil existem cerca de cinco mil criadores de pássaros, que cultivam filhotes às centenas, passam meses fazendo complicados cruzamentos genéticos e abastecem o mercado com espécimes belíssimos. O hobby alia competição, paciência, preservação ambiental e, é claro, lucro. O carioca Jorge Pina, 49 anos, gaba-se de ser o papa da criação de periquitos no Brasil. Pela importância e variedade de espécies que conseguiu reproduzir em cativeiro, há 13 anos chega ao cúmulo de exportar periquitos ingleses para a Inglaterra. Único sul-americano no júri de campeonatos internacionais de ornitologia, ele afirma fazer arte com penas. “O macho e a fêmea são meus pincéis. Sua combinação dará o tom que procuro”, diz.


