quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pequenas e Perigosas

O Autor
Dr. Luiz Alberto Shimaoka

Tênias

Elas atacam um dos principais órgãos das aves, o intestino, e podem provocar sérios males à saúde de sua criação. Fique atento aos sintomas causados pelas tênias e poupe suas aves de maiores complicações

É uma doença causada pela infestação de vermes achatados no intestino e são chamados vulgarmente de “solitárias”, podendo causar vários danos à ave, inclusive ocasionar a morte da mesma.

Este tipo de verme apresenta:
  • Forma de fita;
  • Corpo dividido em segmentos que são chamados de “proglótides”;
  • Cabeça com órgãos de fixação em forma de ventosas, que se fixam na parede do intestino delgado (que é a porção inicial do intestino) que é o grande responsável pela maior parte da absorção dos nutrientes extraídos da alimentação do animal.

Principais características:
  • São parasitas hermafroditas, ou seja, possuem tanto sexo masculino como o feminino em um mesmo individuo;
  • Necessitam em usa fase de desenvolvimento de um hospedeiro intermediário para completar o seu ciclo. Os ovos devem ser ingeridos por um hospedeiro que vai hospedar o embrião do verme.

Este embrião atravessa a parede intestinal do hospedeiro e se estabelece em alguma parte do seu corpo se transformando em larva.


Quando este hospedeiro intermediário é ingerido pela ave, a larva do verme é liberada, e se fixa no nível do intestino delgado, iniciando assim o seu desenvolvimento com a formação das segmentações do seu corpo chamadas de “proglótides”, que nada mais são que depósitos de ovos de verme.

Cada “proglótide” é composta por uma cápsula com músculos que permitem que este segmento se locomova e saia das fezes da ave, com uma reserva de energia limitada para que estes músculos funcionem, sendo que o aparelho reprodutor masculino e feminino, responsáveis pela produção de ovos contidos em seu interior.

Os hospedeiros intermediários são insetos como moscas e besouros que se alimentam de fezes ou terrícolas (que se alimentam de outras matérias orgânicas), moluscos (lesmas e caracóis), formigas; entre outros. Estes hospedeiros intermediários se contaminam com os ovos do parasita e conservam, transportando-os pra diversos lugares até atingirem o seu alvo e contaminar uma ave qualquer. As tênias que parasitam as aves necessitam obrigatoriamente de um hospedeiro intermediário, para completar o seu ciclo. A doença não é transmitida diretamente pelo contato com as fezes.

A sintomatologia desta verminose é muito sutil e muitas vezes restringem à tristeza, perda de apetite e diarréia. Podemos encontrar também fezes com sangue, presença de “proglótides”  nas fezes ou imediações (raramente são vistas ou notadas). Apetite normal, asas caídas, penas arrepiadas, dificuldade de se locomover ou voar, faces de dor (aparentam que estão com dor e sofrendo) ficam prostradas, com olhos semi-abertos (dormindo de dia, olhar fixo e movimentos diferentes do normal).

Se não bastasse tudo isso, ainda emagrecem e são vitimadas pela caquexia como “peito seco” até chegarem à morte. Muitas vezes a morte vem antes mesmo do aparecimento de sinais mais graves, podendo a ave morrer ainda com musculatura peitoral bastante desenvolvida. O abdômen pode apresentar coloração amarelada e o abaulamento da mesma pode estar presente ou não.

No organismo da ave, podemos encontrar lesões de leves a graves, na região do intestino delgado, O diagnóstico é feito através dos sinais clínicos e constatação de “proglótides” nas fezes ou por exame laboratorial, como exame de fezes e encontro de ovos. O maior problema que encontramos, no momento do exame, é que muitas vezes pode não ocorrer a eliminação de “proglótides” e deste modo fatalmente estaremos dando um resultado negativo para a doença de modo errôneo.


Material retirado de um Trinca-ferro que veio a óbito

O tratamento é efetuado com medicamentos específicos para o verme. Como profilaxia ou prevenção, temos que efetuar o tratamento das aves acometidas pela doença e combater os hospedeiros intermediários que são as moscas, mosquitos, besouros, lesmas e outros do recinto de criação.

A limpeza das gaiolas, acessórios e do ambiente de criação pode facilitar a diminuição da propagação do mal. A prevenção de doenças aparentemente simples de controlar, mas com grande dificuldade de se detectar, pode acarretar muitos problemas e perdas em nossos plantéis.


Boa sorte a todos e sempre que necessário procure o auxílio de um Médico Veterinário.

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Fonte: Revista Passarinheiros&Cia - Ano VIII - nº 54 - 2009

2 comentários :

  1. Excelente artigo.
    Saudações ornitófilas.

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  2. meus parabéns amigo pelos seus ensinos que DEUS o abençõe a cada dia um forte abraço de seu amigo e admirador davi de iracemapolis sp

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