sexta-feira, 12 de abril de 2013

Doença de bicho no homem

Paula Takahashi

Ter cão, gato ou pássaros em casa exige cuidados com patologias animais que são transmitidas para o ser humano. Medidas simples de higiene são fundamentais para manter sua saúde e a de seu pet em dia.

Companheiros inseparáveis e praticamente membros da família, os animais de estimação exigem atenção especial quando o assunto é saúde. O contato cada vez mais próximo  com os humanos tem facilitado a transmissão de uma série de doenças que podem ser nocivas a adultos, mas principalmente a crianças, idosos e pessoas com doenças imunodeficientes, como a Aids. Dados da Organização Mundial da Saúde confirmam que na última década 75% das novas enfermidades que afetaram a saúde humana foram causadas por patógenos de origem animal. Leia-se também cães, gatos, pássaros e roedores.

Em geral, os vetores de transmissão estão presentes nas fezes dos bichos, como no caso da toxoplasmose, bicho geográfico e psitacose, conhecida como febre do papagaio (veja quadro). “A toxoplasmose, por exemplo, é transmitida principalmente pelos filhotes de gatos. Isso porque eles ainda não têm imunidade suficiente para combater o protozoário e acabam eliminando mais cistos nas fezes”, explica o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Marcos Antônio Cyrillo. Por isso, nessa fase, os cuidados com o manejo do animal devem ser redobrados.
A principal forma de transmissão da doença do gato é partir da inalação dos cistos do protozoário ou consumo direto por meio de alimentos contaminados. A maneira mais simples de combater a zoonose é mantendo o ambiente limpo e adotando alguns cuidados básicos no recolhimento das fezes. Depois de manipular a caixa de areia do felino, por exemplo, é fundamental lavar bem as mãos. “Também é aconselhável usar luvas para manusear a areia higiênica”, aconselha o chefe da fiscalização do Conselho  Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV), Messias Lôbo.

Visitas frequentes ao veterinário também estão entre as indicações. “Como o gato contaminado é na grande parte das vezes, assintomático, é preciso fazer exames periódicos de fezes”, afirma Messias. Para os bichinhos que vivem em apartamento, sem contato com a terra, uma vez por ano já é o suficiente. “Caso contrário, é preciso fazer de seis em seis meses.” Qualquer anormalidade no comportamento do animal também requer atenção de um profissional.

Apesar de ser conhecida como doença do gato, a toxoplasmose pode ser transmitida também por cães. Mas é no bicho geográfico que recai a maior preocupação em relação aos melhores amigos do homem. Especialmente neste período do ano, quando as famílias lotam as praias para aproveitar o verão. “A larva do bicho geográfico fica na região e penetra a pele quando o contato. Evitar que o cachorro faça suas necessidades na areia é uma das melhores formas de prevenção”, lembra Messias. Mas se não houver alternativa, os bons modos pedem que tudo seja devidamente recolhido. “Mais do que uma questão de higiene, é também uma questão de saúde pública”, alerta o chefe da fiscalização do CRMV.

Além das patologias mais comuns, uma série de vermes também podem ser contraídas em contato com o melhor amigo. “Giárdia e amebas que vivem no intestino do cachorro, por exemplo, podem se transmitidas”, lembra Marcos Antônio.

CUIDADOS Manter as unhas dos animais bem cortadas, a carteira de vacinação em dia e o rigor na tosa estão entre as práticas mais aconselháveis para garantir a saúde da família. “Quando o animal está tosado, fica mais fácil controlar carrapatos e pulgas e manter a higiene”, observa Marcos Antônio. E ainda reduz a presença de bactérias. Ele aconselha também que as pessoas evitem contato extremo com os bichos de estimação, por mais difícil que possa parecer. “O ideal é não dormir com o animal, não beijar, não dar comida para ele do prato. Tratá-lo realmente como animal”, orienta o diretor da SBI. Em relação aos pássaros, as gaiolas dever mantidas sempre limpas e em local arejado.


MALES MAIS COMUNS

CACHORRO

Raiva - É transmitida ao homem por meio da mordida do animal. Os sintomas incluem dores, náuseas, vômitos e mal-estar. Na fase mais desenvolvida da doença, surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe com dores fortes na deglutição, além da alteração de comportamento. Para evitar que a doença se propague, basta realizar a vacinação regularmente.

Pulgas e carrapatos - São parasitas que estão presentes em vários animais. Eles causam coceira insistente, pele avermelhada e pequenas lesões, e se não forem tratados, podem também causar doenças. Inspecione a pelagem do animal constantemente, faça a tosa, e se for necessário, use remédios ou xampus específicos.

Sarna - É uma doença parasitária de pele, bastante contagiosa e que causa coceira. Pode ser transmitida aos animais ou ao homem pelo contato com o parasita transmissor, o ácaro. Para não correr riscos de contrair a doença, colabore com a higiene do animal e o mantenha longe de animais infectados.

Brucelose - Doença infecciosa que nos humanos apresenta sintomas parecidos com os da gripe, mas para cães pode ser mortal. É transmitida pelo acasalamento dos animais ou pelo contato com filhotes ou placenta contaminados. Para prevenir, faça o teste de brucelose nos animais antes do acasalamento e use luvas descartáveis se for ajudar no parto.


GATOS

Além da raiva e sarna os felinos podem transmitir também:

Toxoplasmose - Conhecida popularmente como doença do gato. É transmitida ao homem por meio da ingestão de cistos provenientes do solo, areia, latas de lixo contaminados com fezes de gatos infectados. Pode causar febre, dores nos músculos e articulações, cansaço, dores de cabeça e alterações visuais. Para evitar a doença, não entre em contato direto com as fezes de gato.

Bicho geográfico - A transmissão da larva migrans é feita no contato da pele com uma área contaminada pelo parasita, por exemplo a areia da praia, causando coceira intensa. Para prevenir, não permita que os animais evacuem em praias e parques. Também é importante mantê-los em boas condições de higiene.  O diagnóstico por meio de exames de fezes periódicos também é aconselhável. Os gatos têm o hábito de fazer suas necessidades na areia, um local perfeito para a propagação do bicho geográfico. Pode ser transmitido também por cães.


AVES

Como papagaios, calopsitas e periquitos.

Psitacose - Mais conhecida como febre do papagaio, é causada por uma bactéria que pode ser transmitida por secreções das aves. A contaminação pode ocorrer ao se respirar perto de fezes secas dos animais ou quando se entra em contato com a saliva do bicho. Embora a infecção em humanos seja normalmente branda, pode ser potencialmente perigosa para pessoas com o sistema imunológico comprometido, doentes, idosos e crianças. Sintomas persistentes e semelhantes a um resfriado, como febre, calafrios, dores de cabeça, fraqueza, fadiga e sinais de doença respiratória podem ser observados.

Criptococose - Micose causada pelo fungo Cryptococus neoformans, que está presente principalmente em solos contaminados por excremento de aves. Pode ser transmitido também por outros animais domésticos, como o gato e cachorro. O contágio ocorre quando o fungo é inalado, o que acaba resultando em uma infecção primária do sistema respiratório.


ROEDORES E RÉPTEIS

Salmonelose - Alguns animais são portadores da bactéria salmonella e podem transmiti-la ao homem pelo contato direto ou indireto com fezes, urina e saliva. Causa diarreia intensa, febre, cólicas intestinais, podendo evoluir para desidratação, septicemia e meningite, necessitando hospitalização.

*Messias Lôbo, chefe da fiscalização do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais.


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Fonte: ESTADO DE MINAS – Quarta-feira, 20 fevereiro de 2013 – pág. 22.

Um comentário:

  1. Passaro muito engraçadinho, mais que guarda uma doença muito perigosa que ataca os bronquios dos homens é a dita cuja da Calopsita, pessoas que tem alergia a poeira das penas que elas soltam, são transmitidas doenças muito perigosa p/o aparelho respiratório do humano.


    NA

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