segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cuidados Básicos no Criadouro

Por
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP

O ditado de que é melhor prevenir do que curar funciona muito no manejo das aves. Por isso, é fundamental que o passarinheiro aprenda e examine ou observe suas aves todos os dias. Qualquer sinal de anormalidade, notadamente na  postura  do pássaro  na  gaiola, apetite, sede, fezes, urina, abdome, respiração, etc., agir de imediato. Inicialmente, separar rápido a ave doente em outra sala e procurar se informar com criadores e veterinários especializados.

O ideal será  que um grupo de passarinheiros fazer convênios com veterinário que se dedique à ornitopatologia e que semestralmente  ele visite o criadouro para detectar quais os eventuais problemas que estejam afligindo os respectivos pássaros. Localize  defeitos nas instalações, examine a nutrição  ministrada e assim por diante. Seria bom também que cada criador adquira um compêndio veterinário onde aparecem quase todas as doenças e para que servem cada um dos medicamentos existentes  no mercado.  Existe uma série de doenças que  pode atingir uma ave ou um plantel estressado,  tais como: doenças parasitárias e infecciosas, intoxicações,  traumatismos diversos, excessos e carência nutricionais  que podem ser de vitaminas e sais minerais etc.


Devemos levar em consideração as causas de estresse que levaram o plantel a uma queda de resistência que propiciou o aparecimento dessas doenças. Podemos ter início de muda de penas, superpopulação, friagem, calor, má ventilação, umidade excessiva ou escassa, alimento ruim, predadores, ruídos contínuos, luz em demasia, escuro excessivo, mudanças bruscas de clima, mudanças de manejo, medicações etc.

O passarinheiro deve observar sistematicamente  suas aves e não introduzir outras em seu criadouro sem fazer quarentena, principalmente nos locais onde se cria intensivamente.

São dois os aspectos que devem ser levados em conta para o cria­dor observar em seus pássaros: a saúde do próprio indivíduo e as instalações em que está mantido. Lembrar que nem sempre  algum tipo de sintoma demonstrará de forma clara a verdadeira moléstia. Muitas vezes, quando descobrimos o que é,  já  é tarde e os remédios não terão mais efeitos curativos.

Uma ave sadia apresenta características físicas bem próprias e de fácil constatação. Muita vivacidade, muita alegria, canta muito, se for macho, e seus movimentos são rápidos e mesmo acrobáticos. O peito apresenta-se cheio e estufado para a frente, sem excesso. Cuidado, porque também pode ser sinal de patologia, como obesidade.

O empenamento da ave tem que ser brilhante. As penas perfeitas, limpas e na cor natural. A ave sadia apresenta, ainda, as narinas secas, sem corrimento. O bico bem conformado. A descamação bem discreta e esporádica é tolerável. O crescimento  excessivo do bico, o aparecimento de estruturas anormais requerem cuidados especiais e devem ser corrigidas, pois podem impedir a ave de se alimentar.

A posição das asas nos dá uma indicação do estado de saúde dos pássaros. Normalmente elas devem estar juntas ao corpo. O afas­tamento do corpo, quando em repouso, pode ser sinal de cansaço, de traumatismos, calor excessivo, ou até mesmo falta de ar. A observação de detalhes como a respiração acelerada, emitindo um pequeno ruído tipo chiado de peito, indica que a ave  está respirando com dificuldade.

A posição da cauda acompanhando o movimento respiratório e o bico aberto nem sempre são originados só por problemas pulmonares. Especial atenção para a “mycoplasmose” , quando a ave fica indisposta durante um período muito longo, pois ela  é uma doença de ação lenta,  na maioria das  vezes.

Os pés devem ser motivo da maior atenção por parte dos criadores. Os dedos devem estar bem acomodados nos poleiros e as unhas per­manentemente aparadas. Nos pássaros adultos e que atingem idade avançada é muito comum o aparecimento de calos. A observação desses é importantíssima, pois podem ressecar demais, sofrer rachaduras que são porta de entrada para bactérias e fungos. Dessas infeções localizadas, estes microorganismos atingem a circulação sangüínea da ave, levando à morte por septicemia.

As instalações, gaiolas, viveiros são outros itens importantes para a saúde das aves. O cuidado com o aspecto sanitário é fundamental. É preciso combater a umidade de todas as formas, pois é um dos principais agentes que predispõem a várias doenças. O ideal é não se colocarem gaiolas encostadas na parede. De tempos em tempos se deve desinfetar todas as instalações e utilizar calor para todas as gaiolas e para todos os outros acessórios, especialmente poleiros.

A limpeza diária é aconselhável; o fundo, os poleiros e as talas da gaiola devem ser limpos a cada 7 dias, no máximo. Lembrar que poleiro impregnado de matéria orgânica é a maior fonte de infecção de doenças como a “coccidiose”  além de ser a principal causa do crescimento exagerado das unhas pela ação de fungos.

Uma atitude muito salutar é a de se colocar papel sem impressão no fundo das gaiolas. O que muito ajuda no combate à umidade. Evitar o uso de jornais em casos de uso de gaiolas sem grade no fundo em especial para pássaros que tem o costume de ingerir papel. As tintas usadas para a impressão contém chumbo e se forem constantemente  ingeridas podem levar ao saturnismo, doença tóxica que afeta o sistema nervoso, de caráter cumulativo, de difícil cura.

Não se deve esquecer que, na maioria das vezes, os pássaros se auto-contaminam ingerindo os próprios excrementos, por isso é indicada a grade sobre o fundo corrediço. A referida grade tem que ser trocada a cada três dias.

A circulação do ar é outro item fundamental para a saúde deles, esse fator não pode ser esquecido, ar puro é segurança de boa saúde. As gaiolas e viveiros devem sempre estar em locais bem arejados, mas sem correntes de vento. A temperatura ideal deve estar entre 25 e 35 graus Celsius, no máximo.

Quando o criador notar alguma anormalidade com um de seus pássaros, deve separá-lo imediatamente em outra sala, procurar discutir o assunto com outros passarinheiros mais experientes e concomitantemente procurar um médico veterinário que tenha conhecimento na área de ornitopatologia. Os exames laboratoriais periódicos das aves podem ajudar muito no controle de doenças. Podemos usar para tanto fezes, penas, aves que morreram, ovos que não eclodiram, filhotes que morrem durante o desenvolvimento etc.

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Fonte: Lagopas - Disponível em: http://www.lagopas.com.br/painel/noticia5/detalhe.php?id=18. Acesso em: 24 de set. de 2013.

Um comentário :

  1. Este blog é de grande utilidade pra nos criadores amadores.
    Eu sempre leio tudo que me enviam pra me manter bem informado quanto a melhor maneira de criar e cuidar de minhas aves, obrigado pelas informaçoes amigo.

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