segunda-feira, 14 de julho de 2014

Desinfetantes, quando, como e por que usar ?

Por
Dr. Bruno Pietroluongo


As duvidas sobre manejo sanitário do plantel são freqüentes e persistentes. Cada criador tem sua receita infalível de como lavar as gaiolas ou de que produto usar para desinfetá-las, ou mesmo sobre como se deve fazer para desinfetar o criadouro enfim. O fato é que a grande maioria dessas receitas são completamente empíricas ou seja, não envolvem conhecimento cientifico. Os criadores vão popularizando produtos e dosagens que um falou pro outro e assim por diante e na verdade ninguém sabe o que está fazendo e nem o que deve fazer. 

Os desinfetantes assim como os antibióticos podem causar seleção nas bactérias que por sua vez podem se tornar resistentes aos mesmos. Para melhor entender o significado de desinfecção vamos partir dos princípios. “Desinfetar é reduzir a carga de agentes microbiológicos (bactérias, vírus e fungos) de uma superfície inanimada”, ou seja quando desinfetamos algo estamos reduzindo ao Maximo possível a quantidade de bactérias, fungos e vírus que estão naquele objeto ou superfície. A desinfecção não se aplica a tecidos vivos, por isso na definição de desinfecção usamos os termos “superfície inanimada”. Ao contrario quando desejamos reduzir a quantidade de agentes microbiológicos de um tecido vivo usamos o termo “anti-sepsia”, que é, por exemplo, quando utilizamos uma solução anti-séptica para “desinfetar” um machucado qualquer.

Existem vários métodos de desinfecção e podemos dividi-los em 2 grandes grupos:

  • Os Químicos (Substancias químicas);
  • Os Físicos ( variações de temperatura e pressão, luz ultravioleta e radiações ionizantes.

Os químicos são aqueles em que aplicamos soluções de substancias químicas que são capazes de destruir as bactérias, fungos e vírus. As substancias mais comumente usadas são o cloro, benzalcônio, amônia quaternária e assim por diante. Todos esses produtos tem como vantagem a facilidade e praticidade de aplicação. No entanto existe uma metodologia para usá-los, normalmente deve-se ter uma superfície previamente limpa, para aplicar um destes produtos. Por exemplo, um criador que deseja lavar o chão de seu criadouro, primeiro deve lavá-lo com água e sabão para remover a matéria orgânica e após isto deve aplicar o desinfetante. 

Outro item desprezado é que cada desinfetante deve ser usado de uma determinada maneira, alguns devem ser aplicados puros durante 15 ou 20 minutos sobre a superfície a ser desinfetada, outros podem ser diluídos em água mas logicamente respeitando as devidas indicações de diluição dadas pelo fabricante. Uma dica crucial é jamais misturar 2 ou mais desinfetantes o resultado disso pode ser desde uma simples perda da função dos produtos que não servirão pra nada, até causar uma seria intoxicação no manipulador que aspirar os gazes produzidos e mesmo a intoxicação dos pássaros que podem até mesmo vir a óbito. 

Os desinfetantes apesar da praticidade e muitas vezes baixo custo, possuem muitas desvantagens como a característica de deixar resíduos, o que restringe completamente seu uso nos utensílios que tem contato direto com as aves, como comedores, bebedouros, gaiolas, ninhos etc. Todos estes equipamentos podem ser fonte de intoxicação dos pássaros se estiverem impregnados de resíduos de produtos químicos, os efeitos podem ser desde agudos com aves que venham a óbito improvisamente ou crônicos com pássaros que começam a apresentar sintomas de intoxicação por exposição longa a metais pesados. Alem de tudo isso, vem a seleção bacteriana, o uso de diluições inadequadas, aplicação de desinfetantes em superfícies sujas (matéria orgânica) proporciona uma ótima oportunidade de selecionar bactérias mais resistentes, tudo isso sem falar que algumas bactérias e os protozoários como as coccídeas, não são destruídos com desinfetantes químicos, o único desinfetante capaz de destruir um oocisto de coccídea seria a amônia quaternária o problema é que este produto é extremamente tóxico e cancerígeno principalmente para o criador que ira manipular o desinfetante. 

O ponto onde quero chegar é que devemos desestimular o uso de desinfetantes químicos nas nossas criações, exceto quando houver uma necessidade extrema que o próprio veterinário indique. Caso contrario o custo beneficio dos desinfetantes químicos não é nenhum pouco favorável aos pássaros e ao criador. Uma alternativa simples é manter a limpeza ou seja, gaiolas limpas, pisos e bandejas lavados com água e sabão simplesmente mas com uma rotina ou seja freqüência. 

Comedores devem ser sempre limpos bebedores então nem se fala, todo dia deveriam ser lavados com água e sabão biodegradável. Outra estratégia eficaz é a troca diária do papel das bandejas coletoras e também a limpeza das grades de piso das gaiolas, tudo isso somado a um criadouro bem arejado, pode reduzir em mais de 80% na incidência de doenças no plantel. Mas e a pergunta que não quer calar, como eu desinfeto alguma coisa de maneira segura para mim e para os pássaros? A resposta esta nos meios de desinfecção física, ou seja através de calor, nesse sentido podem ser usados dois métodos um mais perigoso para o manipulador que é a “vassoura de fogo” e outro 100% seguro que é o uso de “lavadoras a vapor” (Desinfetantes, quando, como e por que usar ?). É sabido que nenhum microorganismo resiste a altas temperaturas por isso que equipamentos cirúrgicos são esterilizados em maquinas de alta pressão e temperatura chamadas autoclave. Partindo desse principio do uso do calor eu posso não só desinfetar ou reduzir a carga de microorganismos, com o calor eu posso esterilizar que é o termo usado para designar a remoção total de microorganismo logicamente de uma superfície inanimada. 

A vassouro de fogo nada mais é do que um lança chamas que pode ser usado para desinfetar as instalações ou seja só a sala de criação ou galpão etc. deve-se porem tomar muito cuidado para evitar acidentes como incêndios e acidentes pessoas, obviamente que para realizar este método todas as aves devem retiradas do recinto, e seu uso deve ser muito bem planejado e cuidadoso. 

O método mais indicado é sem dúvida as Lavadoras à vapor, são aparelhos vendidos no mercado que emitem vapor a temperaturas acima dos 100°C, o que pode eliminar, fungos, ácaros, bactérias, vírus e até coccídeas, com imensa segurança para o manipulador e para o plantel e depois do procedimento o resíduo é simplesmente água ou seja sem toxicidade nenhuma. A desvantagem do método é o trabalho que da para realizar a limpeza com esses aparelhos, mas o custo beneficio é ótimo. Vamos começar uma conscientização de não uso de antibiotiocos e desinfetantes sem necessidade ou de maneira incorreta, estes hábitos podem trazer prejuízos para a nossa saúde e de nossos bem amados.



Dr. Bruno Pietroluongo
Medico Veterinário Especialista em Pássaros.

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Fonte: Blog Veterinária de Aves. Disponível em: http://veterinariadeaves.blogspot.com.br/2012/02/desinfetantes-quando-como-e-por-que.html. Acesso em: 15 de dez. de 2013

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