sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Hóspedes urbanos

Redução das matas É cada vez maior o número de espécies de pássaros que buscam as cidades para morar.

ADRIANA FEREZIM
Especial para a Gazeta

Com o crescimento das cidade, as aves perdem seu hábitat e passam a ser vistas com maior frequência nas cidades. Pela manhã e à tarde é possível encontrar um bando de maritacas no bairro Cidade Jardim. Elas fizeram ninhos nas palmeiras das ruas e das casas. Para o ornitólogo Johan Dalgas Frisch, as pessoas precisam deixar de vê-las como praga passar a recebê-las como hóspedes.

É cada vez maior a presença dessas espécies, inclusive de papagaios nas áreas urbanas, fazendo ninho nos forros de madeira das casas, segundo Dalgas. "Essa espécie que deve estar aí na cidade de Piracicaba, deve ser a maritaca jandaia, que é verde e é um pouco menor que o papagaio".

"Com o desmatamento, essas aves não encontram alimento suficiente ou locais para fazer ninhos. Nesse mundo moderno e de mudanças no meio ambiente, não é o mais forte nem o mais inteligente que sobreviverá, mas o que tem mais capacidade de se adaptar", disse.

Dalgas contou que no prédio de apartamentos onde reside em São Paulo há uma colônia de maritacas. "Elas fizeram ninho acima do 16º andar". Ele começou a colocar sementes de girassol - um dos alimentos preferidos dessa espécie - para alimentá-las. O problema é que as casas das sementes sujaram a piscina e isso gerou reclamações. "Ao invés de retirar as maritacas, passei a colocar as sementes em um aquário. Dessa forma, elas entram e comem no aquário e lá deixam as cascas. A piscina fica limpa e as maritacas alimentadas".

ARBORIZAÇÃO. Outra providência que a população e os governos precisam adotar, na sua opinião, é que para receber esses pássaros, que continuarão procurando as cidades, é preciso plantar árvores frutíferas. "As árvores plantadas só beneficiam os automóveis. É preciso diversificar o plantio de espécies para oferecer alimento à esses pássaros nos 12 meses do ano. É preciso rever o conceito de arborização urbana", ensina.

Dalgas acredita que é possível o homem dispor da tecnologia e de conhecimento para rever essa situação. "Não se pode tomar atitudes contra o desenvolvimento das cidades, mas é preciso encontrar medidas que possam beneficiar os pássaros".

As maritacas, por exemplo, escolheram viver nas palmeiras da Cidade Jardim, porque os frutos dessas plantas são um de seus alimentos prediletos, depois das sementes e é o local onde escolheram fazer o seu ninho.

O animal adulto mede 27 centímetros e chega a pesar até 250 gramas. É encontrada do Nordeste ao Leste do Brasil, até o sul do país e também ocorre na Bolívia, Paraguai e Argentina. Costuma viver na mata alta, em pinheirais e matas ciliares. Voa em bandos que pode chegar a 100 indivíduos.

CUIDADOS. Alguns cuidados em atividades nas cidades precisam ser tomados com a chegada dos pássaros nas regiões urbanas. Dalgas disse que mais perigoso que os chicletes jogados na rua, que podem grudar no bico de uma ave, é o veneno utilizado para matar ratos.

"O chumbinho e uma isca vermelha muito usada no combate ao roedor podem ser fatal para as aves. As pessoas precisam tomar cuidado nos locais que colocam essas iscas", disse.

Daltas comenta a consequência do veneno utilizado para matar saúvas, formigas que normalmente destroem lavouras. Em uma fazenda foram exterminadas com venenos. Em pouco tempo foi notada também a ausência do pica-pau do campo. "Essa espécie de pássaro se alimenta de saúvas e para tê-lo de volta foi necessário deixar uma colônia dessas formigas", explicou.

O mesmo acontece com as plantações. "Nessa fazenda, uma bananeira deixou de ser colhida. Se aproximaram sanhaços e outras espécies. É preciso deixar um pomar para eles, para servir aos passarinhos".

Fonte: http://www.gazetadepiracicaba.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=
1669678&area=26050&authent=17BD9E64299FB366FCA9703AEEF251 http://www.gazetadepiracicaba.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1669678&area=26050&authent=17BD9E64299FB366FCA9703AEEF251

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