quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

“Contos de fatos”

Quarta-feira, 01 de dezembro de 2010
 
Por Oscar Maia Forte

Com o decorrer dos anos, os passarinheiros adquirem experiência e passam a colecionar histórias de situações vivenciadas ao lado de suas crias. E essas histórias quase sempre revelam verdadeiros casos de amor entre o homem e esses magníficos seres alados. 

Até pouco tempo atrás só mesmo em histórias contadas por nossos avós e nossos pais, é que ouvíamos falar de pessoas que conversavam com os animais. São muitos contos e relatos que durante nossas vidas pudemos ouvir. Sem falar no iluminado Mestre São Francisco de Assis, que transcende a tudo que já pudemos presenciar e ouvir falar.

Estas histórias a pouco se materializavam em nossas mentes, por ocasião de uma reportagem do Globo Repórter , onde um menino se comunicava com um trinca-ferro, ao imitar seu canto ele vinha ao seu encontro achando que era um intruso adentrando em seu território.

 E ao se deparar com seu pequeno amigo, ficava ali por algum tempo a trocar cantos, com que por pura magia se comunicando um com o outro. Quem seria capaz de afirmar o contrário com absoluta certeza, sem medo de errar? Eu, com certeza, não questionaria este diálogo quase que celestial entre duas espécies diferentes, porém, puras.

Criadas pelas mesmas forças que criou este infinito universo, e que dependendo do credo de cada um, atende as nossas preces por nomes diferentes, mas com certeza, é único e pai de todos nós, inclusive daquele menino que conversava com o trinca-ferro.

A revista passarinheiros, por meio de seu editor diretor Edílson Guarnieri, resolveu visitar um destes meninos, que hoje homem, conversa com os pássaros, afim de dirimir algumas dúvidas de seus leitores, na fase mais esperada da criação que é o nascimento dos filhotes.

Nosso “Conto de Fatos” se reporta a um destes meninos que, como aquele que conversava com os animais e em especial com os pássaros, e ao mesmo tempo em que conversava procurava, procurava prestar atenção ao que estes lhe diziam, não em formas de palavras, mas em seus comportamentos e na comunicação através dos sinais repetitivos pelos quais estes se expressavam no seu dia-a-dia.

Esta linguagem de sinais é própria de cada espécie, e se bem interpretada revela suas particularidades, que nada mais são, que os pedidos de ajuda para que estas possam se comunicar conosco!

Ao vê-las puxando palha e tentando se aninhar e tudo dando errado, perguntava-as: O que há de errado? Porque não fazem os seus ninhos? E ao observar a linguagem dos sinais, compreendia  que a posição correta dos ninhos era na parte superior, num dos cantos da gaiola.

O poleiro mais próximo de preferência  deveria ficar um nível mais alto, para que estas ao dormir se posicionassem no ponto adequado e não dormissem no ninho para não o sujarem com suas fezes. Por ser um local de proteção, este deveria de preferência se protegido pra que fêmeas não ficassem expostas ao dia-a-dia do criatório.

Noutra ocasião, ao fazerem a postura goravam alguns ovos e de mesma maneira percebeu que a falta de umidade era o fator limitante. Passou então a colocar uma banheira de água fresca todos os dias para que estas pudessem tomar banho seu banho e assim então levar aos seus ovos a umidade necessária, a boa eclosão.

Ao nascerem os filhotes, por algumas vezes, acontecia de haver perdas e estas ocasionadas pela falta de proteína na alimentação, pois ao ver as fêmeas numa incessante busca por insetos percebeu pela linguagem dos sinais, que deveria aumentar a quantidade de proteína na alimentação dos filhotes.

E passou a suplementar a alimentação das fêmeas com larvas, insetos e papas especiais para cria a mão. E não só dava aos filhotes, mas também chamava as fêmeas pelo nome e oferecia diretamente no bico das mesmas, com o intuito de estimula-las a tratar de seus filhotes com menor interferência no ninho.

E assim, o menino foi percebendo as particularidades de cada pássaro de seu plantel, e notava que embora fossem da mesma espécie, cada um tinha uma necessidade diferente para procriar, pois eram indivíduos de personalidades e particularidades diferentes. Como podemos ver, até nos animais se faz necessário aceitar as diferenças e as particularidades de cada um para se ter uma boa convivência no nosso dia-a-dia.

E com o passar dos anos o menino cresceu e hoje (Oscar Maia Forte) se dedica à criação e à preservação de várias espécies de pássaros nativos de nossa fauna, numa parceria com os amigos Fernando Corte de Souza, Jorge Paulo da Costa Branco (Trinca-ferro e Coleiro) e Givaldo Gonçalves de Souza (Curió) todos do criadouro Buriti, procuram respeitar as particularidades de cada e fazer um time vencedor dentro e fora dos torneios, selecionando filhos de grandes campeões, no intuito de oferecer a melhor genética aos seus clientes e amigos.



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Fonte: Revista Passarinheiros & Cia – ano V – nº. 35 – nov/dez 2005

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