quinta-feira, 5 de abril de 2012

Criar passarinhos

Por
Rogério Fujiura

Criar passarinhos. Mais que um costume cultural, está ligado ao homem desde os primórdios da história, quando podia significar poder e força religiosa.

Hábito vindo desde nossos ancestrais, as gaiolas fazem parte do visual rural e urbano. Sejam casas,  apartamentos, são excelentes animais de companhia pelo pouco espaço que ocupam e pela facilidade em manter sua alimentação e manutenção de um animalzinho já é mais do que comprovados pela Ciência, para todas as faixas de idade.

Imaginem então podermos ver o milagre da vida, testemunhar o ciclo biológico: “Todo ser vivo nasce, cresce, reproduz e morre” em ambiente doméstico?

Ver o ritual de acasalamento - quando os machos normalmente ficam ainda mais imponentes e soltam seus cantos de galanteio, a confecção do ninho, a postura dos ovos, 1, 2, 3... a fêmea chocando durante doze, treze dias e os primeiros filhotes nascendo, aquelas coisinhas feias que achamos lindos, sem penas, desprotegidos, mas firmes em erguer seus bicos pedindo alimentação e sendo aquecidos pela mãe que só os deixa em busca de comida.
Ver seu empenamento e crescimento, cada vez mais salientes e espertos, já emitindo sons de aviso de que estão com fome. Seus primeiros momentos em que se sustentam em suas patas e caminham em direção à borda do ninho, curiosos, com seus olhos observando a tudo de forma vivaz. Chega o momento de darem seus primeiros passos, ops, vôos, deixando os ninhos e se mantendo como podem nos poleiros, ainda sendo amamentados pelos pais.

Começam a tocar nas comidas, em um gesto mais de imitação do que de alimentação. E assim vão se tornando independentes, até que aos 30, 35 dias são emancipados pelos pais, para que possam ceder espaço para outro ciclo de reprodução.

Suas penas, em algumas espécies, ainda não têm a coloração definitiva. São ainda penas de camuflagem, que na natureza os deixam a salvo de predadores naturais. E, nas espécies em que há dimorfismo sexual, como seu primeiro ano de vida suas penas pardas vão sendo substituídas pelas cores definitivas.

Um passarinho. O significado dele é muito mais do que ter um animal de estimação. A natural curiosidade do homem o faz procurar mais conhecimentos de como tratar melhor, de observar algum problema de saúde e de como fazer com que possa ocorrer a interação entre ele e o animal. Essa relação vai se firmando, com a ave cantando alegremente na presença de seu dono. Tal qual um cachorrinho abanando o rabo, ele pressente a presença e emite seus diversos tipos de canto.

Alguns são territorialistas e fazem do canto seu instrumento de intimidação. De marcação de território.

Mas o homem não se contenta com isso. Troca idéias com possuidores de outros pássaros ou com seu fornecedor de rações. Começa a estudar seu habitat natural e sente despertar a necessidade de preservar. Percebe que a degradação ambiental vai diminuindo as populações livres. Que algumas espécies estariam extintas se não fosse à criação em cativeiro.

E vai aprimorando suas técnicas de manejo. Muita coisa ainda na base das tentativas, dos erros e acertos. A prática. Depois alguém vai se incumbir de definir a teoria. Mas esse autodidata tem uma considerável importância no conhecimento biológico das espécies.

Ele já não chama qualquer passarinho de canarinho. A não ser que seja mesmo. Começa a se apaixonar pelas aves nativas brasileiras. Identifica o Coleirinho, o Curió, o Canario da Terra, o Trinca-Ferro, o Pássaro preto, o Sabiá. Delicia-se com o Corrupião brincando em seus dedos e atendendo a seus chamados. E assim adiante.

Já sabe distinguir as diferenças alimentares. Das formas de reprodução. Toma conhecimento da legislação. Das normas legais para poder manter e criar seus alados. Passa a se orgulhar de suas crias. Cada vez que ouve o canto de suas aves ou mesmo de seus simples "pialados". Estufa-se, sua vaidade cresce e sua auto estima está livre de anti-depressivos.

Passa a perceber a dimensão de sua importância na preservação ambiental. De saber que, com sua atuação, gerações futuras poderão continuar a poder usufruir desse prazer. E, de estarem criando mais e mais espécies. E, nós, com a esperança sempre firme de que o bicho Homem saberá recuperar áreas degradadas e propiciar a soltura dessas aves nascidas em cativeiro. Preservadas graças a alguns obstinados.

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Fonte: Revista Eletrônica ABRASE - nº 5 - Dezembro 2009.

3 comentários :

  1. REALMENTE CRIAR PASSARINHO EM CATIVEIRO, GAIOLAS, REQUER CUIDADOS REDOBRADOS.TEM PESSOAS QUE TEM PASSARINHO E NÃO SABE QUE AS GAIOLAS TEM QUE ESTAR SEMPRE LIMPAS E LAVADAS UMA VEZ POR MÊS, PARA ISSO TERÁ QUE TER OUTRA GAIOLA. NÃO SABEM QUE PASSAROS TEM QUE SER VERMIFUGADOS, TOMAR VITAMINAS, COMER FRUTAS, VERDURAS, FOLHAS, PEGAR SOL, PESEAR, ENCAPAR AS GAIOLAS.ETC... ISSO É CRIAR PASSAROS EM GAIOLAS TRAZER CONFORTO A ELES DE MANEIRA QUE ELES SENDO BEM ALIMENTADOS, NÃO SINTAM FALTA DA NATUREZA. BEM SOU CRIADOR DE TRINCA FERRO E PAGO PARA VER MELHOR DO QUE EU. MEU NOME É CARLOS PERES SOU CORRETOR DE IMÓVEIS CRECI-43515 E SE PRECISAREM DE ALGUMA COISA OU DICA E SÓ ACESSAR NEU E-MAIL. carlosperes47@gmail.com. FELIZ PASCOA GALERA!

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  2. FALA TRINQUEIROS ONDE PODEMOS MARCAR UMA BADERNA PARA COLOCARMOS NOSSOS TRINCAS PARA CANTAR DE CARA ONDE E SÓ FALAR!

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  3. O Rogério era um iluminado.
    Sabia como poucos observar os caminhos da preservação.

    Gilsonbahia.

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