quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Automutilação em Aves: Verdade ou Consequência?!

Por
Dr. Felipe Victório de Castro Bath




Prezados leitores e amigos! Estou de volta e como sempre trago de forma descontraída e sem palavras elaboradas a verdade sobre algum assunto no nosso cotidiano das aves. Já deixo um grande abraço ao amigo Rafael do Blog Trinca Ferro Verdadeiro. Já em nostalgia pelo final de ano se aproximando hoje o assunto é bem polêmico e será sobre automutilação em aves. Muitos vão se morder por aí. Se acomodem e boa leitura.

Sempre vem alguns casos interessantes na rotina clinica. E um assunto que ainda não abordei foi exatamente esse. Afinal Dr. porque minha ave se automutila? Depois de ouvir a história e uma longa ficha clinica parece que o problema é mais simples do que se imagina. Eu não consigo aceitar a história já batida que a ave se bica ou arranca as penas por stress. Stress de que!? Muitas vezes não muda absolutamente nada e ave inicia esse comportamento. Há de se considerar que tem aves que arrancam as penas quando elas aprontam. Alguns curiós e bicudos fazem isso, mas logo volta a crescer quando firma. Já tem fêmeas que ficam peladas até a próxima muda.


Logico que inúmeros fatores podem desencadear essa síndrome, mas a presença de ectoparasitas na minha casuística representa mais de 90% dos casos. Um fator interessante que é relatado é que a infecção de Giárdia spp levaria a prurido na pele e iniciaria o distúrbio. Me desculpem os mais estudiosos, mas não vejo nenhuma relação em tal fato e segundo uma ave com Giárdia é bem difícil de ocorrer. Corresponde a 0,01% dos casos. Pelo menos nos meus casos. 

Mas retomando o raciocínio dos ectoparasitas. Para vocês que acompanham o blog ao longo do ano vocês vão lembrar o artigo de ectoparasitas do início do ano. Então deem uma parada aqui e voltem lá para ler de novo. A relação de parasitismo com ácaros ou piolhos malófagos é tênue e quando realmente esse limiar extrapola muito resultado direto de alguma mudança orgânica ou ambiental da ave você começa a ter lesões visíveis na pena. Mas quando isso já ocorre muitas vezes à ave já inicia o comportamento de bicagem nas penas e os sinais se confundem. 

Aí tenho que concordar realmente que a ave se bica por stress. Basta eliminar o fator primário que provavelmente estará resolvido o problema, mas não tenha pressa, pois anos de bicagem muitas vezes se torna um vicio igual roer unha por exemplo. 

Já viram também que o tratamento para esse tipo de ectoparasitas deve ser por contato com produtos específicos que existem no mercado. Logico sem nunca esquecer o ambiente em que a ave vive e as demais que estão juntas. Pode até se associar com um calmante, mas descoberta da causa inicial é fundamental para o sucesso do tratamento.  Logico também não estou só contando vitorias. Existem casos realmente complicados e que ficamos sem alternativas, mas isso não é a maioria. Casos esporádicos não houve melhora. 

Despeço-me por aqui e desejo a todos um ótimo mês. Aproveito e deixo o pensamento do dia: "Leva tempo para alguém ser bem sucedido porque o êxito não é mais do que a recompensa natural pelo tempo gasto em fazer algo direito." By Joseph Ross. 



Teve alguma dúvida?! Então deixe um comentário!


Dr. Felipe Victório de Castro Bath
Médico Veterinário CRMV-RJ 8772
Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens SENAC/RioZOO
Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ

Tel.: (21)81014122/ (21)78795270
ID.:10*96860 / (21)22786652
felipebath@hotmail.com / www.niaas.com.br
Rua Dona Zulmira, 11 Maracana Rio de Janeiro – RJ  CEP.: 20550-160 

2 comentários :

  1. obligado doutor felipe por essa postagem

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  2. Bom dia doctor quiero faser umas preguntas .trinca ferro cual es su alimentacao ,emfermedades propensas del trincamferro,ahora estan en epoca de muda que tipo de semillas y frutas tengo darles. Desde ya muchas gracias saudos ,soy de argentina buenos aires

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