quinta-feira, 11 de julho de 2013

Megabacteria em Aves: A verdade omitida

Por
Dr. Felipe Victório de Castro Bath

Olá Amigos e Leitores! Estamos voltando com muitas novidades. Hoje irei direto ao assunto. Como sabem fiz meu Mestrado em Microbiologia Veterinária na UFRRJ e hoje trago um assunto muito polêmico nesse meio e revelador. O fungo Macrohrabdus ornithogaster, até pouco tempo conhecido apenas por Megabactéria, é um ascomiceto anamórfico, oportunista, que se torna patogênico em algumas circunstâncias, como em situações de imunossupressão, tendo sua manifestação clínica conhecida como megabacteriose.

Sua principal fonte de infecção ocorre por aves portadoras assintomáticas, durante a alimentação entre parentes, através da regurgitação e contaminação fecal-oral. Para diagnosticar a presença e sintomas de M. ornithogaster em aves de forma geral, podem ser realizados esfregaços de fezes frescas examinados no microscópio, achados microscópicos e macroscópicos de necropsia incluindo dilatação pró-ventricular e pontos hemorrágicos, e ainda esfregaço da moela.


Muitos vão pensar que é comum a doença em canários, mas afeta qualquer ave. O problema é que a criação de canários é desenvolvida há muito mais tempo e por pessoas com tempo e maior poder aquisitivo. Com isso investe-se em diagnóstico. 

Necropsia calopsita contaminada por fungo Macrohrabdus ornithogaster

A foto da necropsia nem é tão impactante e insuportável assim. A abertura foi feita por um estagiário e poderia ter sido melhor. Mas o importante é observar o principal sinal clínico nessa calopsita que é a dilatação pró-ventricular. Após o esfregaço realizado pode-se confirmar a suspeita. Os sinais clínicos relatados para a doença são diarreia, fezes com alimentos não digeridos, desidratação, emagrecimento, depressão e nos avestruzes, o animal bica o alimento sem conseguir ingeri-lo. Nas demais espécies, o animal alimenta-se continuamente, porém perde peso drasticamente. Peito seco?! Já sabemos que peito seco é consequência de alguma doença crônica né?! 

A megabactéria ocorre nas porções inferiores de proventrículo e glândulas superficiais, causando uma hipersecreção das glândulas mucosas e espessamento da parede do ventrículo associada a pequenas hemorragias. O diagnóstico é feito por esfregaço das fezes ou do proventrículo corado com Gram ou PAS. A técnica de Gram é muito mais simples e eficaz. E eu tenho a competência necessária para a realização do exame com êxito na clínica. 

O microorganismo é anaeróbico facultativo e cresce bem em Agar sangue. Na maioria dos casos, trata-se de uma infecção oportunista que acomete principalmente animais imunossuprimidos. O tratamento e prevenção consistem da acidificação da água de beber, fornecimento de alimentos com alta digestibilidade e suporte nutricional com vitaminas. Em alguns casos, a administração de anfoterecina B ou um fungistático impede a infecção.

Despeço-me por aqui. Deixo o pensamento do dia: "Aprendi que o tempo cura, que a magoa passa, que decepção não mata. Que hoje é reflexo de ontem, que os verdadeiros amigos permanecem. Aprendi que sonhar não é fantasiar. Que a beleza não está no que vemos e sim no que sentimos, e que viver é simplesmente sensacional." Forte abraço e até a próxima. 


Teve alguma dúvida?! Então deixe um comentário!


Dr. Felipe Victório de Castro Bath
Médico Veterinário CRMV-RJ 8772
Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens SENAC/RioZOO
Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ

Tel.: (21)81014122/ (21)78795270
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Rua Campos Sales, 109 Tijuca Rio de Janeiro – RJ  CEP.: 20550-160 

2 comentários :

  1. Parabens Dr. Felipe Bath! otimo artigo...

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  2. Boa noite Dr. Felipe sou criador de T.F. e sempre estou na internet procurando por mais informações na criação, seu blog foi de muita ajuda para mim hoje.
    E ainda acabei por ler que você se formou na mesma universidade onde eu resido UFRRJ.
    Parabens pelo trabalho.

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