sábado, 19 de outubro de 2013

Criação de Pássaros: Comportamento Humano e Qualidade de vida

Por
Sandro Tadeu Carvalho

Por vezes me pergunto por que criar pássaros e me deparo com questões que vão de conceitos de antropologia e sociologia, envoltos em questões administrativas (empresas) e ações e sentimentos de extremo íntimo.

Segundo Drucker, “em uma vida social e política, o homem precisa dispor de uma sociedade funcional da mesma forma que precisa do ar para respirar em sua vida biológica”. Para ele, “a posição social e funcional do indivíduo são a educação do relacionamento entre um grupo e um membro individual”.
Passamos por diferentes questões sócio-econômicas no século passado, bem como neste. Um marcado pela opressão, pelo poder seja nas mais variadas formas de organizações, ou até entre países. O primeiro marcado por genocídios, guerras, etc., e neste pela globalização, pela WEB, pela busca do conhecimento, por resultados, por insegurança, em que princípios como religiosidade, família, bem querer passam a ser mistificados. Surge então, um indivíduo que requer uma melhora no relacionamento inter e intra-pessoal. Vivemos em uma época em que a única certeza que temos é a transformação. Transformação gerada por mudanças.
Segundo Tom Peters, “para a empresa que busca a excelência, mudança é a única coisa permanente”. Kretz, (1998, p. 140).
Toda essa complexidade, aliada ao stress e o corre-corre do dia-a-dia, força-nos a buscar um algo mais, uma razão, e procurar alguma coisa que nos traga bem estar. Mas o que isso tudo tem a ver com a criação de pássaros? Simples: Qualidade de vida! Não sei dizer se o encanto pelas aves se dá pelas cores, pela morfologia ou pelo canto desses pequenos amigos alados. Mas o fascínio existe. É uma realidade!
Para muitos criar pássaros é um hobby. Para outros um negócio, ou simplesmente um grupo de amigos que se reúnem para falar de seus “MACHOS E DE SUAS FÊMEAS”.

Antigamente percebia-se que a maioria dos criadores eram senhores aposentados. Diferente de hoje, em que podemos verificar criadores que fizeram do hobby sua fonte de renda. Encontramos outros em que a satisfação está na reunião com amigos, que exclusivamente se reúnem para tratar de canaricultura, com descontração, com amizade e dedicação. Nesse intere, se encaixam as famílias, os filhos, as esposas. Nunca se viu como se vê atualmente tantas famílias visitando os stands dos mais diversos campeonatos. Do afinco dos filhos na criação, na ajuda aos seus pais e da colaboração das esposas nas diversas viagens que fazemos. Colaboração e compreensão andam juntas! Tudo isso é fruto do comportamento humano, que para Chiavenato, (1992, p. 55),
“O estudo do comportamento humano deve considerar a complexa natureza do homem – ser transacional, voltado para objetivos e atuando como um sistema aberto. Entre os fatores internos e externos que influenciam o comportamento humano está a motivação humana; o comportamento pode ser explicado através do ciclo motivacional que se completa com satisfação, ou a frustração, ou ainda com a compreensão das necessidades humanas”.
Complementando, segundo Robbins, (1999, p. 7),
“Comportamento geralmente é previsível se soubermos como a pessoa percebe a situação e o que é importante para ela. Embora o comportamento das pessoas possa não parecer racional para alguém de fora, existe uma razão para acreditar que geralmente há uma intenção de ser racional e é visto por elas como tal. Um observador geralmente vê comportamento como não-racionais porque o observador não tem acesso às mesmas informações ou não percebe o ambiente da mesma forma”.
Em momentos difíceis temos vontade de terminar a criação, de vender tudo e até mesmo deixar de pertencer ao clube. Diversas são as razões para isso, não é mesmo? Entretanto, basta uma visita a um amigo, ou a visita de um amigo, ou um telefonema para falarmos de vivências, de futuro, de campeonatos, de filhotes, de títulos, de resultados, enfim, para abandonarmos este pensamento.

Somos pessoas diferentes, é evidente. Com atuações profissionais nos mais variados ramos, como medicina, vendas, administração de empresas, contabilidade, agricultura, etc., no entanto, nosso vocabulário é único. É padrão. É nosso! Tratamos tudo isso com muita paixão! 
Para Covey, (2004, p.75), a paixão vem do coração e se manifesta com otimismo, empolgação, conexão emocional e determinação”. 
Isso porque muitas vezes essa paixão vem motivada por antepassados, em que herdamos essa admiração que hoje deve ser tratada como fonte de proteção ambiental, reeducação e porque não dizer, ferramenta para a proteção das diversas espécies do planeta. Neste momento faço questão de mencionar a frase criada pelo Presidente da Federação Catarinense de Ornitologia Wilson Gomes:
 “Criar aves vai além da satisfação, é praticar preservação”.
Esse legado será transmitido aos nossos filhos, e aos filhos de nossos filhos e assim por diante. E deverá ser tratado com a mesma responsabilidade que tratamos os assuntos profissionais, pois podemos tratar a criação da mesma maneira e com mesmos princípios de uma organização, de uma CIA, de uma vida!

Para encerrar, deixo duas frases de Madre Tereza de Calcutá que vão ao encontro de tudo o que de bom pensamos e desejamos uns aos outros e devem ser sempre lembradas:

 “Poucos de nós podem fazer grandes coisas, mas todos nós podemos fazer pequenas coisas com muito amor”. Madre Tereza de Calcutá

“O fruto do silêncio é a ORAÇÃO. O fruto da oração é a FÉ. O fruto da fé é o AMOR. O fruto do amor é a ENTREGA. O fruto da entrega é a PAZ”. Madre Tereza de Calcutá

Busque sempre a sua satisfação e boa criação!


Sandro Tadeu Carvalho – Administrador de Empresas FURB 
Universidade Regional de Blumenau. 
Especialista em Recursos Humanos 
FAE Centro Universitário
 sandrotad@terra.com.br



REFERENCIAS

CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Atlas, 1992.
COVEY, S. O 8° Hábito: Da eficácia à grandeza. 7. ed. São Paulo: Campus, 2005.
ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.
DRUCKER, P. O melhor de Peter Drucker: a sociedade. São Paulo: Nobel, 2001.
KRETZ, J.R. Viabilizando Talentos: como semear o crescimento pessoal e profissional. 4. ed. Florianópolis: Bandeirantes, 1998.

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