segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Poleiros - Escolha e Cuidados

Por
Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP 

Estamos dedicando este texto especial para falar dos poleiros porque são de extrema importância as características que esses componentes devem ter para a plena saúde dos pássaros.

Assim, é importante dizer que devemos ter cuidado de evi­tar os de madeira muito dura, poleiros lisos, lixados ou envernizados. Com o passar do tempo, haverá uma tendência ao aparecimento de calos nos pés das aves que usam esse tipo de poleiro. Poleiros de uma só grossura não exercitam as juntas dos pés e acabam também trazendo lesões sérias nas articulações e músculos dos pés. Poleiros muito grossos que não se ajustam ao tamanho dos pés do respectivo pássaro favorecem entortamento das unhas laterais e traseiras, ocasionando o falado chifre de carneiro nos dedos.


Adote poleiros de 05 a 14 mm. Poleiros muito finos são excelentes para os pássaros dormirem, ajudam a travar a musculatura dos pés fecham a circulação e não deixam as unhas crescerem, cinco mm, seria o diâmetro ideal no dorminhoco.  


Outro cuidado importante é não se colocar poleiro embaixo dos coxos ou de outro poleiro para evitar que fique impregnado de excrementos, porque suja os pés e o bico das aves e favorece o aparecimento de doenças.

Temos que ter sempre em mente que qualquer dificuldade em apoiar os pés prejudica sobremaneira o desempenho dos pássaros, notadamente no ambiente de torneios de canto. Eles fi­cam cansados, estressados, passam a apoiar o peito no poleiro e ficam permanentemente com o rabo aberto, procurando se equilibrar melhor.

O mau uso dos poleiros é que provoca os seguintes problemas: cascas nos dedos e na canela, calos, polâinas, dedos tortos, u­nhas compridas e/ou tortas e pé inchado. Apenas um desses inconvenientes citados, invariavelmente, trará no futuro, sérias conseqüências para a saúde geral da ave.

Na natureza, os pássaros voam muito, o que facilita a aeração e o exercício da pele e dos músculos dos pés.  Lá ainda eles assentam em galhos de árvores sempre limpos, de variados diâmetros e de superfícies sempre ásperas. A aderência é boa e as unhas estão sempre sendo aparadas pelo contato.

Por isso, de­ve-se tentar reproduzir os tipos de poleiros existentes no meio-ambiente deles, tomando todo o cuidado com a correta posição horizontal, formato, diâmetro, tipo do material, superfície dos poleiros e disposição.

Vamos listar os requisitos de um bom poleiro:

  • ser bem redondo;
  • os pés deverão estar bem acomodados sem dobrar os dedos;
  • a superfície deve conter muitas ranhuras para facilitar à aeração e acomodar as unhas;
  • a superfície deve ser áspera, sem espetos, para não escorregar;
  • deve estar bem fixado;
  • diâmetro diferente entre os poleiros;
  • não conter nenhum tipo de impureza, matéria orgânica, em especial;
  • não deve ser de material frio e pouco poroso, metal, por exemplo;
  • não ficar debaixo de outro poleiro;
  • deve ser limpo e desinfetado, sistematicamente, no máximo oito dias de intervalo;
  • o poleiro mais alto tem que ficar a uma distância do teto de forma a permitir que o pássaro fique em posição ereta, sem encostar a cabeça na grade.

Normalmente os poleiros são de madeira, que deve ser do tipo que conserve os sulcos e as estrias.  As melhores madeiras para poleiros são: caixeta, bambu, cerne de folhas de palmeiras. Destaca-se o assa-peixe muito fácil de manusear a melhor de todas. Embora não tenha uma boa aparência possui aspereza e sulcos que ajudam a pisadura dos pássaros. Além do mais, ele é pode ser utilizado por pouco tempo até secar e depois colocar outro novo ainda verdoengo para manter a umidade o que muito conserva os pés dos pássaros. Pode-se, por exemplo, nos voadores colocar poleiros dessa madeira e nas gaiolas de saída os de buriti ou de cerne de palmeira. Procedimento utilizado na LAGOPAS. 

Alguns passarinheiros, todavia, já estão usando, como na Europa, materiais plásticos de boa qualidade como o poliuretano sulcado.

Há também a mangueira de borracha de excelente qualidade e estriada usada para compressores, utilizada como revestimento para poleiros de madeira.

Quando um pássaro se apresenta com calosidade nas juntas dos dedos, devem-se utilizar os poleiros especiais como o canoa, adotado como auxiliar no curativo de calos.

Detalhe poleiro tipo canoa para auxiliar no tratamento de calos.

Nesse tipo há uma abertura convexa que evita o contato do ferimento com a superfície da madeira. Não deve ser usado por mais de um mês.

Para apararem-se as unhas, ajuda muito o poleiro com lixa de ferro na parte inferior.

Poleiro com lixa na parte inferior.

Deve-se retirá-lo imediatamente depois de desgastadas as pontas das unhas para não ferir o dedo.

Às vezes também é necessário criar um poleiro único e todo diferente para a ave que tenha algum tipo de defeito físico nos pés ou nas pernas, adaptando-o à particularidade do caso.

Para se arrumar um poleiro, deve-se utilizar uma cegueta ou um serrote de cabeça para baixo e ir passando os dentes de forma longitudinal na madeira do poleiro. Pode uma faca grande de corte rombudo para limpar a matéria orgânica e não danificar a superfície do poleiro, se alisá-lo.

Para as aves que já apresentam algum tipo de lesão nos dedos também é usado o poleiro especial feito do talo de buriti (Mauritia vinifera), madeira macia, que protege muito o solado dos pés dos pássaros. Ele é ótimo para ser colocado para os pássaros que estão em torneio porque macio e poroso e ajusta a pegada do pássaro com as unhas.


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Fonte: Lagopas. Disponível em: http://www.lagopas.com.br/painel/noticia5/detalhe.php?id=30. Acesso em: 23 de set. de 2013.

3 comentários :

  1. Fico muito feliz em poder contar com as instruções do trinca ferro verdadeiro, agora posso dar um pouco mais de conforto ao meu trinca abraços. Joilson Nonato.

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  2. esse site e nota 10 tirei muitas duvidas que eu tinha

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  3. Gostei muito do site muito direto ao assunto. Bastante construtivo aprendi muito.
    Já coloquei como favoritos no meu navegador. .

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