sábado, 15 de agosto de 2015

A gaiola ideal

Conheça os diversos tipos de gaiolas e saiba qual delas serve para acomodar sua ave. Fique atento, pois pequenos detalhes podem fazer uma grande diferença no cultivo de algumas espécies.

Em princípio, as gaiolas deveriam ser mais compridas do que altas, permitindo um maior espaço para voo. Os recintos muito altos e estreitos não são adequados, pois neles os pássaros mais pulam do que voam, fazem pouco exercício e logo começam a ficar gordos.

As melhores gaiolas são feitas totalmente de arame soldado, pois são fáceis de limpar, higiênicas e dificultam a proliferação de piolhos (os únicos “esconderijos” para eles são as molas das portas e os poleiros).
O maior inconveniente de uma gaiola de madeira é que em toda ela existem lugares para ácaros e a desinfestação é muito mais trabalhosa.

A bandeja de fundo das gaiolas deve ser de chapa galvanizada, pois dura mais e possibilita uma limpeza mais rigorosa do que as de madeira, que depois de algumas lavadas começam a apodrecer.

Antes de colocar qualquer pássaro numa gaiola, verifique cuidadosamente os vãos: se houver algum fio torto ou buraco é certo que o pássaro irá escapar antes que você perceba.

Existem gaiolas especiais para os diversos tipos de pássaros.

  • Aves canoras, como o Curió e o Bicudo, geralmente são colocadas em gaiolas de madeira do tipo “Piracicaba”. 
  • Para pássaros maiores, como o Sabia, o Pássaro-preto e o Corrupião é usado um tipo de gaiola maior, conhecido pelo nome genérico de “Gaiola para Sabiá” . 
  • Existem também gaiolas próprias para papagaios e para canários (este último tipo é conhecido como “Gaiola Argentina” e tem 63 cm de comprimento, 32 cm de altura e 27 cm de fundo).

Dependendo muito mais da utilização do que do tamanho, as gaiolas recebem nomes especiais: de adorno, avoadeiras e de criação.


Escolha das gaiolas


Existem à venda quatro tamanhos de gaiola de arame, que possibilitarão a reprodução de um grande número de espécies. Todas elas têm uma grade no “chão” (que impede que os pássaros entrem em contato com sobras de comida e sujeira) e uma grade-divisória. Os fundos são de chapa galvanizada.

Os comedouros e bebedouros são externos e é preciso tomar cuidado, pois nem sempre as aberturas são suficientemente grandes para espécies como o Bicudo, o Cardeal e o Galo-de-campina. Nesses casos, use comedouros internos.


Gaiolas de adorno


Usadas apenas para alojar os pássaros, seu formato é geralmente arredondado, um pouco mais alto do que largo, e são feitas com os mais diversos tipos de madeira e/ou arame. Algumas são artesanais com acabamento tão esmerado que mesmo vazias servem para decoração de interiores.

Especialmente quando usadas para pássaros canoros brasileiros, como o Curió, o Bicudo, o Azulão etc., essas gaiolas geralmente não são dispostas em lugares fixos.

Durante o dia é costume colocá-las num lugar mais alto, fora de casa, geralmente debaixo de um beiral, para que os pássaros cantem e tomem sol. Para que unia ave não veja a outra colocam-se divisórias na parte externa da gaiola ou na parede, entre um prego e outro. De noite as gaiolas são geralmente recolhidas para algum lugar fechado em que fiquem protegidas do tempo e de predadores como corujas, gambás e ratos. Não é bom colocar as gaiolas muito próximas do teto, pois, se o local não tiver boa circulação de ar, os pássaros respirarão ar saturado. As gaiolas também não devem ser aceitar na cozinha (pode haver vazamento de gás ou excesso de calor), no banheiro (há excesso de umidade), em lugares em que se fazem as refeições ou em quartos de dormir, pois, por mais saudáveis que estejam, as aves podem transmitir doenças ao homem.


Gaiolas avoadeiras


Qualquer pássaro precisa de exercícios, principalmente se for filhote. Por isso, logo que as aves são separadas dos pais devem ir para gaiolas amplas, que lhes permitam voar o máximo possível. Qualquer gaiola com 1 m ou mais de comprimento serve muito bem como avoadeira. Mas há gaiolas especiais para essa finalidade, que têm encaixes para serem colocadas uma em cima da outra.

Em geral essas gaiolas seguem o seguinte padrão: 

  • 1 m de comprimento
  • 37 cm de altura 
  • 51 cm de fundo


 Poleiros


A tendência é colocar o maior número possível de poleiros numa gaiola, o que é errado, pois já vimos que os pássaros precisam de exercício. Coloque no máximo três poleiros em cada gaiola.

Os poleiros devem estar o mais distante possível um do outro, mas não perto das paredes laterais, para que os pássaros não se raspem no comedouro ou nas grades, estragando sua plumagem. De maneira alguma as banheiras, bebedouros ou comedouros devem ficar debaixo de qualquer poleiro: muitas doenças são transmitidas pelas fezes.

Na natureza, as aves pousam cm galhos dos mais diversos diâmetros. Por isso, alguns criadores costumam colocar poleiros de medidas diferentes nas gaiolas. Os poleiros ideais, na verdade, são aqueles em que o pássaro descansa naturalmente, sem ter de se agarrar forte ou de ficar com os dedos muito abertos.

As gaiolas de criação e avoadeiras devem ter apenas dois poleiros. Como a cúpula é realizada no poleiro mais alto, este não pode ser colocado na altura do último arame horizontal, pois fica muito próximo do teto e não deixa espaço suficiente para o macho cobrir a fêmea.

Antes de colocar os poleiros, é bom verificar se eles não têm farpas ou qualquer outro defeito que possa machucar os pés dos pássaros. Quando estiverem sujos, devem ser retirados e limpos. E bom verificar se não há ácaros no encaixe do arame da gaiola.

Os poleiros para gaiolas com papagaios devem ser muito resistentes e precisam ser trocados periodicamente, pois essas aves os destroem. De qualquer forma, use sempre poleiros de madeira, pois os feitos de plástico ou metal são prejudiciais: os de metal são muito frios e lisos e os de plástico podem ser bicados e ingeridos pela ave.


Vãos da grade da gaiola


As gaiolas já são construídas com distância padronizada entre os arames grades e são seguras para a grande maioria dos pássaros. O cuidado maior deve ser tomado com os caboclinhos e espécies do mesmo tamanho: são tão pequenos que conseguem escapar de vários tipos de gaiola. A distância ideal entre os arames, no caso, é de 11 mm.


Gaiolas para criação


As gaiolas de madeira são totalmente desaconselháveis para a reprodução, pois serviriam de alojamento para piolhos. No caso de pássaros adultos, esses bichinhos sempre incomodam, mas é possível percebê-los e eliminá-los. Quando aparecem piolhos num criadouro na época da reprodução, entretanto, ocorrem verdadeiros desastres, pois as fêmeas abandonam o ninho e os filhotes morrem de fome ou sugados pelos piolhos.

Se houver infestação de piolhos em gaiolas de madeira, você certamente terá de interromper a criação, pois existem tantos lugares para os ácaros se esconderem que será necessário retirar os pássaros para conseguir desinfetá-las completamente.

Nas gaiolas de arame a eliminação de piolhos também é difícil e trabalhosa: é necessário borrifar toda a gaiola, especialmente as molas, poleiros, ninhos e paredes.


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Fonte: Revista Passarinheiros&Cia - ano IX - Nº 55 - 2009

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