sábado, 10 de abril de 2010

Automutilação em aves

Por
Drª Aline Bagno Lourenço

Resumidamente, iremos abordar a etiologia, prognóstico, tratamento e a prevenção da automutilação em aves de cativeiro.

A automutilação não é uma doença exclusiva das aves, pelo contrário, ela ocorre em outras espécies e normalmente está relacionada com transtornos psicológicos. No homem, por exemplo, ela se manifesta através do hábito de roer unhas, nos cães, a dermatite por lambedura é um bom exemplo de automutilação. Automutilação é uma doença bastante comum em aves, principalmente nos psitaciformes( araras, papagaios,agapornis, etc). Ela se caracteriza, como o próprio nome diz, pelo fato do animal se mutilar, principalmente com o bico, à princípio, arrancando as próprias penas e posteriormente retirando pedaços da pele e da musculatura.

As causas da doença são: carências nutricionais, presença de ectoparasitas (piolho), stress (condições inadequadas de vida, solidão, perda de companheiro de longa data, morte do proprietário, mudança de ambiente, ansiedade, etc) além de outras causas, bastante discutidas, tais como: frustração sexual e processos alérgicos.

Uma análise meticulosa da história de um animal com síndrome de automutilação é de extrema importância, pois as investigações diagnosticadas auxiliares podem contribuir pouco para o diagnóstico. Deve‐se fazer o diagnóstico diferencial com carências nutricionais, ectoparasitas, fatores alergênicos e dermatites (bacterianas, virais ou fúngicas) 
Faz‐se o tratamento corrigindo‐se eventuais erros de manejo. Polivitamínicos solúveis podem ser de algum benefício em algumas circunstâncias. Realiza‐se a prevenção com adequada densidade e temperatura, baixos níveis de luz, controle de ectoparasitas e formulação de uma dieta que corresponda rigorosamente às exigências nutricionais das aves silvestres.

O prognóstico e o tratamento dependem da causa principal envolvida, visto que é uma doença multifatorial. No geral, o prognóstico é de bom a reservado, quando o tratamento é realizado no início do processo e de
reservado a desfavorável quando animal já em estado avançado da enfermidade, completamente sem penas e com feridas por todo o corpo. É necessário também que ocorra uma melhora das condições de vida, da luminosidade, da alimentação e da socialização com outras aves (espelho). O proprietário deve dar uma maior atenção ao seu animal durante a recuperação.

A automutilação é uma doença delicada, pois normalmente não tem causa física e sim psicológica. Prevenir ainda é o melhor caminho, por isso o correto é dar uma vida digna, na medida do possível, para a ave encarcerada. É necessário pensar na qualidade de vida destes animais.Essa doença é o melhor exemplo de manifestação física da somatização de transtornos psicológicos que o animal sofre ao longo de sua vida. A qualidade de vida inclui, dentre outras, manejo, alimentação e ambiente corretos para a espécie em questão.No caso de automutilação, não deixe de visitar um médico veterinário de confiança, pois só ele poderá receitar uma medicação adequada para seu animal.


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