quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Reprodução problemática

Por
Dr. Luiz Alberto Shimaoka

Algumas aves são marcadas por dificuldades no momento da eclosão de seus ovos. E este problema, chamado popularmente de ovo atravessado ou virado, pode levar a ave à morte. Saiba como identifica-la e até mesmo como preveni-lo

O ovo virado ou atravessado é um problema de ocorrência bastante comum e afeta, praticamente, todas as aves. O ovo normalmente fica enroscado na parte final do aparelho reprodutivo da fêmea, o que impede a sua expulsão e consequentemente provoca a obstrução do intestino. A não retirada do mesmo pode levar a ave à a morte.

O ovo virado pode ocorrer em várias fases da sua formação, podendo estar em desenvolvimento ou até mesmo completamente formado. Muitas podem ser as causas que levam ao aparecimento do problema, dentre elas podemos citar:

A) Ovo de dimensão (tamanho) acima da média, o que dificulta a sua expulsão, favorecendo o desenvolvimento do problema;
B) Mau posicionamento do ovo dentro do oviduto, também pode ser a causa determinante;
C) Diminuição da taxa de cálcio no sangue, que pode ser causado por vários fatores, dentre eles podemos citar:
  • Alta taxa de procriação ou posturas sequências (botar vários ovos) levam a uma grande perda de cálcio da forma de casca, o que pode originar o problema;
  •  Falta de cálcio também pode ser causada por uma deficiência na alimentação, devido a uma dieta inadequada ou desbalanceada;
  • Alterações intestinais que levem a uma dificuldade na absorção do mesmo, como por exemplo, uma infecção intestinal;
D) Ovo com casca mole, que provoca uma maior aderência à parede intestinal, dificultando a sua postura;
E) Fêmeas “primíparas”  (aquelas que nunca criaram) podem não estar totalmente formadas, tendo uma maior dificuldade na postura.


Os sinais clínicos são genéricos como:

Ave triste; apática; prostrada; sem apetite; inativa; olhos semi fechados; aparentando uma dificuldade respiratória, pois a respiração é irregular e forçosa, podendo estar ou não com o bico aberto; asas e cauda baixas; penas arrepiadas; ave fica no fundo da gaiola; pode ficar sem coordenação ou com dificuldade de se manter no poleiro; apresenta dificuldade para defecar podendo tomar atitude de ficar chacoalhando o posterior; o abdômen pode estar inchado ou abaulado; como desfecho, o problema pode culminar em morte.

Em alguns casos, a vê pode aparentar que esta pronta para postura ou mesmo aninhando ou em postura e de repente em seguida apresentar os sintomas acima descritos.

O diagnóstico é feito através dos sinais clínicos, exame clínico e se necessário raio-X.

O tratamento resume-se basicamente em retirar o(s) ovo(s) retido(s). A técnica de retirada do(s) ovo(s) depende da posição em esteja, ou estejam. Às vezes ocorre de haver dois ovos virados ao mesmo tempo, na mesma ave.


Como prevenção pode ser feito o seguinte:
  • Complementação de minerais na alimentação, em especial o cálcio;
  • Não forçar a fêmea a muitas crias seqüências, respeitando o limite da ave;
  • Oferecer uma dieta boa e balanceada para aves que estão no período de reprodução;
  • Esperar o amadurecimento das fêmeas novas para incluí-las na reprodução;
  • Fêmeas com problemas digestivos devem ser poupadas na reprodução até a sua total recuperação;
  • Observar se filhotes fêmeas, filhas de aves que tiveram o problema, também desenvolverão o ovo virado;
Caso o fato se confirme, a ocorrência pode estar relacionado a um problema genético, sendo assim as filhas e a mãe devem ser retiradas do programa de reprodução.

É sempre bom lembrar que, caso necessário, é recomendável que o criador procure o auxilio de um médico veterinário.

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Fonte: Revista Passarinheiros & Cia - ano VI - nº 39 - jul/ago 2006

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