quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Candidíase em Aves: O que faço de errado?

Por
Dr. Felipe Victório de Castro Bath 

Prezados leitores e amigos! Estou de volta e com a energia revigorada. Logicamente continuamos basicamente nos psitacídeos, e hoje falaremos sobre Candidíase. Aproveito a oportunidade para mandar um forte abraço aos irmãos Oscar Saldanha e Hélio Saldanha que são amigos e clientes, este último trazendo um resultado fantástico na parte de Cúrio Praia Clássico neste ano. Parabéns!

Hoje continuo nostálgico e ouvindo ao fundo Cazuza é que escrevo para vocês. Se preparem que será um artigo de revelações para muitos. Quem nos acompanha sabe que realizei o meu Mestrado exatamente em Microbiologia Veterinária por isso me sinto confortável para escrever sobre esses assuntos que poucos ousam abordar. Enfim, desejo uma boa leitura aos amantes das aves e leitores do Blog Trinca-Ferro verdadeiro.


O fato mais importante é compreendermos que candidíase é a doença causada pelo fungo do gênero Candida. E que este fungo habita comumente e faz parte da biota do trato intestinal das aves. Obviamente este é passado quando os pais alimentam o filhote. Então já vamos a primeira revelação. Quando realizamos exame parasitológico de fezes em nossas aves é lógico que dependendo da técnica utilizada teremos a visualização de Candida. Mas a ave possui candidíase? Provavelmente não. Mas vejo muitos diagnósticos serem feitos assim e o pior o uso de antifúngicos indiscriminadamente.

 Foto 1 - Lesão por Candida em Comissura no Bico

Existem inúmeras de espécies de Candida, mas de maneira geral é um fungooportunista, ou seja, desenvolve em animais jovens ou com baixa imunidade. Nos psitacídeos a Candida provoca a formação de placas esbranquiçadas na cavidade oral (Orofaringe) e crostas nos cantos(comissura) do bico. A candidíase afeta todo o aparelho digestivo das aves, mas tem por referência o papo, causando o acúmulo de alimento e fermentação, mas nem sempre é assim, pois pode ocorrer emagrecimento do animal como resultado de uma Síndrome de Má Absorção. O diagnóstico diferencial para essas placas esbranquiçadas deve envolver deficiência de vitamina A sempre.

Vejo muitos criadores usarem antifúngicos na papinha do filhote. Mas por que isso? Nem eu mesmo sei. É muita crendice que é passada a gerações. Sem falar na baboseira de que se trata pivite com nistatina e vitamina A. O uso de antifúngicos quando a ave ainda é um filhote é completamente equivocada, além de desiquilibrar toda biota do trato intestinal sobrecarrega o organismo do filhotinho e acaba por fim favorecendo o desenvolvimento de alguma enterobacteria que acaba levando a morte do filhote.

Foto 2 - Lesão por Candida na Comissura do Bico II

Todos esses assuntos já foram abordados aqui por mim. Então junte as peças do quebra cabeça. Leia as publicações passadas. Hoje infelizmente vemos surgir com força uma doença chamada clamidiose nos psitacídeos. O resultado direto disso é o total despreparo da maioria dos criadores que não se preocupam com a sanidade do seu plantel e pela falta de informação dos proprietários. Hoje temos inúmeros laboratórios que realizam esses exames sanitários. Então vamos correr um pouco atrás. E a candidíase nessa história?!

Na verdade era só para atentar ao fato que o tratamento envolve uso de antibióticos e vejo algumas aves desenvolverem Candida de forma iatrogênica. Por isso o acompanhamento de um médico veterinário especializado e com experiência é fundamental.

 Foto 3 - Lesao por Candidiase em Papagaio.
Observe acumulo de comida.
A célula fúngica é muito semelhante à célula animal, por isso o tratamento de candidíase é longo por um período na maioria das vezes não inferior a 30 dias. E o principal, o tratamento sempre envolve o uso de probióticos e prebióticos com o intuito de recolonização e a criação de uma barreira competitiva em todo trato intestinal.

Despeço-me por aqui. Consulte sempre seu veterinário especializado. E deixo o pensamento do mês como uma homenagem ao Sr. Almir Lobato da Sociedade dos Criadores de Pássaros Exóticos do RJ pelo encontro realizado neste mês: "Os pequenos discutem, os medianos questionam e os grandes fazem". Forte abraço e até a próxima!



Teve alguma dúvida?! Então deixe um comentário!



Dr. Felipe Victório de Castro Bath
Médico Veterinário CRMV-RJ 8772
Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens SENAC/RioZOO
Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ
Tel.: (21)81014122/ (21)78795270
ID.:10*96860 / (21)22786652
felipebath@hotmail.com / www.niaas.com.br
Rua Dona Zulmira, 11 Maracana Rio de Janeiro – RJ  CEP.: 20550-160

2 comentários :

  1. OBRIGADO Dr Filipe por estas dicas importantes p/mim e outros novos criadores. Abrço.

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  2. DOUTOR FAZ UM OTIMO SERVIÇO EM NOS INFORMAR SOBRE DIVERSOS
    ASSUNTOS OBRIGADO AO DR FILIPE

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