terça-feira, 26 de novembro de 2013

Pássaros podem ser bons amigos

Por
Jessica Almeida

Cuidados com a ave de estimação incluem alimentação correta, gaiola limpa e exames de rotina; animal deve vir de um criadouro credenciado pelo Ibama

Faisões, periquitos, calopsitas, canários, papagaios, araras, cacatuas e até mesmo tucanos ou corujas: qualquer ave, seja ela doméstica, silvestre ou exótica, pode ser um bichinho de estimação, conforme garante o professor da Escola de Veterinária da UFMG, Leonardo Boscoli Lara. A única condição é que ele venha de um criadouro credenciado pelo Ibama. Tudo dentro dos conformes, é hora dos cuidados com a ave de estimação, que incluem alimentação correta, gaiola limpa e exames de rotina, dentre outros.

“Dentro da gaiola, além de um recipiente para comida e um bebedouro, algumas espécies gostam de ter um pequeno reservatório de água em que possam se banhar. Outras, como os papagaios, preferem ser borrifadas. O sinal que dão para isso é arrepiar as penas e geralmente acontece em dias quentes”, explica o professor.

Quando estão doentes, passarinhos costumam ficar recolhidos, sem cantar, e dormindo em horários inesperados. Outro sintoma comum é o “peito seco”, que muitas vezes é tratado como doença. Por isso, é essencial visitar o veterinário de seis em seis meses no início e uma vez por ano, depois de mais velho.

Alerta

Se a ave não tiver uma anilha na perna – aquele anelzinho que serve para identificação – é preciso entregá-la à polícia ambiental. Caso isso seja feito voluntariamente, não há punição. Entretanto, se o animal for pego em operações de apreensão, o responsável é multado em R$ 500 e, caso a espécie esteja sob o risco de extinção, R$ 5.000.

Dê carinho ao seu passarinho

Assim como cães e gatos, os pássaros também precisam de afeto. Mesmo sendo mais desconfiadas, as aves também gostam de receber carinho, mas você precisa demonstrar que merece sua confiança antes. Teste seu passarinho aos poucos e ele vai te mostrar onde prefere ser acariciado, eriçando as penas nessa região. E comprometa-se a fazê-lo regularmente, porque a interrupção da prática pode deixá-lo estressado. Papagaios nessa situação costumam arrancar as próprias penas.

Para não fugir nem se machucar

As pessoas têm o hábito de cortar algumas penas das asas dos pássaros – sobretudo os de maior porte que podem ficar fora das gaiolas – para que eles não fujam voando. Não há problema em fazer isso, contanto que sejam cortadas apenas as oito primeiras penas e de uma asa só. Dessa forma, se ele tentar fugir, não vai conseguir chegar longe e sua queda não será brusca, a ponto de feri-lo. Duas vezes por ano, eles trocam de penas. Portanto, fique atento ao fim desse período para realizar o corte.

Escolha do local de abrigo

Mais importante que a escolha entre um viveiro ou uma gaiola, é cuidar para que o passarinho fique num lugar arejado e que possa tomar sol no início da manhã ou no fim da tarde. É interessante cobrir a gaiola durante a noite, para protegê-los do frio e evitar que, eventualmente, outros animais os perturbem. No caso de um viveiro, é preciso assegurar que os bichinhos tenham onde se abrigar do vento, que é um inimigo maior que o frio em si. Lojas especializadas vendem poleiros aquecidos artificialmente. Na hora de medir o espaço e a quantidade de pássaros em cada ambiente, garanta pelo menos o dobro, mais a metade do tamanho do animal (com as asas abertas), tanto para altura, quanto para largura.

Cuidados com a alimentação

Ao contrário de gatos ou cachorros, cujas dietas variam pouco de uma raça para outra, cada passarinho come um combinado diferente de sementes, frutas, verduras e “farinhadas”, que são rações vendidas prontas. É preciso consultar veterinários e criadores para saber o que é mais adequado para o seu pet. Alimentá-los, por exemplo, só com semente de girassol pode deixá-los acima do peso, uma vez que é um alimento muito gorduroso e eles não poderão voar livremente, como na natureza, para queimar as calorias em excesso. Ao dar frutas e verduras, fique atento à sua desinfecção, pois os vermes – uma das principais causas de morte em pássaros – podem ser contraídos desse tipo de alimento.

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Fonte: Jornal O Tempo - Caderno Bicho e Caprichos - Publicado em 05 de out. de 2013

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