segunda-feira, 14 de abril de 2014

Problemas provocados por fungos e micotoxinas alimentares

Por
Afonso Babra Garcia – Espanha

Uma das revelações mais interessantes e recentes dos estudos relacionados com a alimentação das aves é a do significado negativo que a presença dos fungos nas sementes e rações que administramos a elas, que podem chegar a elaborar subprodutos altamente tóxicos, como são as micotoxinas.

A partir do controle e observação das aves de gaiola, que recebem rações alimentares mofadas, tem-se realizado numerosas pesquisas para chegar a determinar:

  • As que existem grandes quantidades de cepas fúngicas, capazes de crescer e desenvolver-se nas rações;
  • Que estas cepas de fungos podem produzir grande variedade de “fatores tóxicos”, nos alimentos das aves.


Efeitos sobre a nutrição


Pela ação dos fungos sobre as gorduras e outros substratos existentes nos alimentos, se produz uma importante deterioração sobre o aproveitamento dos princípios nutritivos da ração que administramos às aves de gaiola e, de forma muito especial, o alfa-tocoferol, isto é, a vitamina E, com o consequente aumento da infertilidade na época da criação.
Também reduzem a reserva e armazenamento no fígado da ave da vitamina A, assim como nas rações mofadas deprimem o conteúdo dos carotenoides que são usados nas rações pigmentantes dos canários de fator vermelho, circunstância que em determinados casos explica a colaboração em “em zonas”, irregular e insuficiente.

É, pois, evidente que o fungo e as micotoxinas nas sementes ou rações de criação podem exercer efeito devastador  sobre a saúde e a fertilidade das aves pela sua influência negativa sobre as defesas orgânicas, como consequência da carência de determinados nutrientes básicos, especialmente os lipossolúveis.

Sua ação sobre a vitamina D produz hipocalcemia, o que na pratica se traduz por exemplo em alguns filhotes ao sair do ninho apresentem malformações e anomalias nas patas ou dedos, o que produz as chamadas “pernas de cowboy”.

As consequências mais notáveis são a infertilidade por desnutrição da vitamina E, raquitismo pela carência das vitaminas A e D, assim como menor resistência das defesas naturais do organismo pelo aparecimento de micoses, geralmente localizadas na cavidade oral, destruição dos carotenoides nas rações corantes cuja consequência é uma má pigmentação dos canários de fator vermelho.

Prova-se que o problema dos fungos e as micotoxinas nas rações das aves de gaiola compreende uma importante gravidade para o criador desde o ponto de vista nutritivo, já que como assinalamos, determinados fungos interferem na assimilação dos lipídio da dieta.


Conclusões


Devemos tomar todas as precauções na aquisição das sementes, rações para criação ou coloração, e refutar qualquer delas que apresente aspecto mofado.

Devemos estabelecer o controle mais seguro possível no ambiente onde guardaremos as sementes, misturas e rações, que deverá ser um lugar seco, aerado e ventilado.

Devemos estabelecer uma limpeza e higiene extrema, em gaiolas, comedouros de qualquer tipo, bebedouros e, especialmente nas bandejas (fundos de gaiolas) onde são depositados os restos de alimentos e fezes.

Devemos evitar o acúmulo de alimentos velhos ou umedecidos, o acréscimo de alimentos novos e frescos sobre outros velhos.

Devemos evitar qualquer infiltração de água e evitar restos de líquido depois do banho das aves, com a finalidade de evitar a fermentação.

Um  bom manejo, uma higiene intensa de comedouros e outros utensílios e um controle constante e meticuloso dos ninhos, poleiros e gaiolas nos ajudam a reduzir nos nossos criadouros a presença de fungos que acabariam produzindo micotoxinas de efeitos altamente negativos para a saúde e fertilidade, devido a sua interação com os agentes microbianos, capazes de produzir doenças.


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Fonte: Revista Pássaros Ano 15 – Nº 84 - 2011

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