sábado, 9 de maio de 2015

Doença de Pacheco

Por
Luiz Alberto Shimaoka
Médico Veterinário

É uma doença que afeta todas as espécies de psitacídeos (nativas ou importadas), indiferentemente da idade e sexo. A sua característica principal é a morte súbita de aves que até o momento da morte demonstravam-se estar em perfeito estado de saúde. 

O agente causador da doença é um herpesvírus, que leva a uma alteração do fígado e baço de forma a necrosar os mesmos e invariavelmente a morte vem de forma muito rápida. O vírus persiste na natureza e nos plantéis em aves doentes ou portadoras (aves que possuem o vírus dentro de si, mas não apresentam sintomas da doença) de forma tal que periodicamente exista a reativação da doença incubada e assim estas eliminam os vírus de modo a espalhar e contaminar novas aves. 
A transmissão se dá através da contaminação do ambiente com fezes e secreções faringeanas, decorrentes de espirros, vômitos ou outras excreções. No ambiente, podem contaminar o recinto, alimentos, água e acessórios, de modo que ocorra a exposição das aves ao agente, facilitando assim a sua disseminação para novas vítimas. Existem outros meios de transmissão como os acessórios, insetos, sujidades, carros, correntes de vento e até mesmo as nossas próprias mãos. O vírus parece ser instável no meio ambiente, mas há muitos casos onde esse tempo parece não ser real, pois do contato à sintomatologia pode ter passado um período muito longo. A incubação, que nada mais é do que o tempo necessário para que o vírus entre no corpo até que a ave comece a demonstrar sintomas da doença, é em torno de 3 a 7 dias. Muitas aves que chamamos de assintomáticas, ou seja, possuem o vírus dentro de si, mas não demonstram a doença, provavelmente são as grandes responsáveis pela manutenção do mal na natureza e em nossos plantéis. 


Como sinais clínicos, podemos ter:

  • Sinais inespecíficos (que pode aparecer em qualquer doença), como a falta de apetite, vômitos, diarreias, urina esverdeada, secreção nas narinas, sinais nervosos, apatia, entre outros sinais. Normalmente essas aves evoluem para a morte, mas algumas podem se recuperar. 
  • O sinal mais característico (e de maior relato) é a morte de aves clinicamente sadias e que vem a morrer de modo rápido e sem demonstrarem nenhuma sintomatologia anterior. Ou seja, pareciam estar em perfeito estado de saúde até mesmo antes da sua morte. 

O diagnóstico pode ser feito com o achado do vírus nas fezes ou em secreções da boca. Após a morte por achados de necropsia podem indicar a morte por herpesvírus. 

O tratamento é complicado, pois não existe medicamento eficaz contra o agente viral, podemos tentar manter o quadro clínico estável, oferecendo medicação de suporte para que a ave possa demonstrar sinais de combate e melhora da doença.

A prevenção é a maior aliada no controle da disseminação da doença. Devemos tentar separar indivíduos susceptíveis daqueles suspeitos de portarem o vírus. Cuidados com a higiene do criatório, acessórios, gaiolas, paredes e funcionários são determinantes na disseminação da doença em nossos criadouros. O herpesvírus normalmente é sensível ao ressecamento e a maioria dos desinfetantes. O estresse das aves pode facilitar a disseminação da doença por fragilizar o sistema imunológico das aves sadias e favorecer uma maior eliminação de vírus pelas aves afetadas por ficarem mais sentidas e fracas. Assim sendo qualquer fator que facilite a queda de resistência das aves favorecem em muito a maior eliminação e disseminação da doença às aves presentes em nossos plantéis e a outros. 

Em caso de dúvidas sempre procure o auxílio de um Médico Veterinário. “A busca pela melhora de nossas criações pode parecer difícil e árdua, mas qual trabalho não o é? Devemos dia-a-dia procurar a nossa evolução e nos empenhar em melhorarmos.”

--
Fonte: Slideshare. Disponível em: http://goo.gl/SnvxxL. Acesso em 14 de jan. 2015

Nenhum comentário :

Postar um comentário