Entrevista: Criadouro Casa da Fibra
Domingo, 16 de janeiro de 2011
TFV - Como é o manejo adotado na criação usando prateleiras, igual de bicudos e curiós?
TFV - Você mantém algum programa de medicação preventiva?
FPS - Depende, depois dos exames parasitológicos se necessário sim.
Prezados leitores, dando sequência as entrevistas com criadores de Trinca-Ferro, apresento a vocês Fábio Pereira dos Santos, proprietário do Criadouro Casa da Fibra situado na cidade de São Paulo - SP.
Fábio é um criador experiente e muito criterioso, possui em seu plantel pássaros de excelente linhagem.
Confiram na integra a entrevista
TFV - Conte-nos um pouco da sua história e há quanto tempo senhor cria pássaros?
FPS - Aos 7 anos de idade ganhei do meu avô materno o meu primeiro pássaro, era um coleiro, daquele dia em diante nunca mais fiquei sem passarinho. Aos 13 já reproduzia coleiros em cativeiro, com 15 ganhei de presente do meu pai o meu primeiro Trinca-Ferro, estudava muito o seu comportamento, com 20 anos comecei a reprodução em cativeiro de trincas (com sucesso) de canto gostava de canto comprido até começar me apaixonar pelas rodas, em 2005 (se não me engano) decidi começar selecionar Trinca-Ferro pra fibra, comprei meu primeiro filhote no Buriti (filho do Zandonaide) e assim é até hoje, todas as matrizes são do Buriti e de pássaros comprovados como Cruel, Maquina, Zandonaide etc.
TFV - Qual o critério que você utiliza para selecionar pássaros que irão compor o seu plantel?
FPS - Fibra, valentia, velocidade, retomada de canto, tamanho e (fêmeas) aptidão materna.
TFV - Quais espécies alem do Trinca-ferro o senhor reproduz em ambiente domestico?
FPS - Coleiro, Azulão e agora começando com Canários da Terra.
TFV - Qual a distancia é mantida entre as espécies, ou que tipo de isolamento acústico é utilizado?
FPS - Cada espécie fica num cômodo separado, não preciso de isolamento acústico já que procuro a fibra e não o canto. Mesmo assim nunca tive problemas de filhotes das espécies que reproduzo saírem com canto atrapalhado.
TFV - Você costuma visitar Torneios e Concursos de pássaros? Você costuma levar paássaros para competir?
FPS - Sim, com uma certa frequência.
TFV - O que levou senhor a reproduzir o trinca-ferro?
FPS - Sempre foi o passarinho que eu mais gostei, pelo seu canto vigoroso e extrema valentia, isso me encantava desde criança.
TFV - Há quanto tempo o Senhor lida com Trinca-ferro?
FPS - Já fazem 15 anos.
TFV - Como criador regularmente cadastrado no IBAMA, você tem enfrentado algum tipo de problema no relacionamento com a Autarquia?
FPS - Sim, a não entrega de anilhas pagas é o grande problema (antes da IN Nº15 de 22 de dezembro de 2010).
TFV - Qual a maior dificuldade que senhor teve no início da criação do Trinca-ferro?
FPS - Por incrível que pareça não foi a mortalidade de filhotes, eu nunca tive esse problema. A maior dificuldade no começo era fazer o macho galar, eu tinha uma fêmea que era dona de uma fibra impar e queria muito um filhote dela, mas ela sempre batia no macho e botava branco, isso me fazia perder noites de sono, até que com muita abservação e cuidado consegui (10 anos atrás).
TFV - Como é alimentação dos Trinca-Ferros machos nos períodos e de manutenção?
FPS - A alimentação segue a mesma, o ano todo, apenas na temporada de reprodução que aumento o valor protéico na alimentação, principalmente nas fêmeas. Forneço a ração Alcon Trinca-Ferro e Nutrópica Trinca-Ferro (a vontade) farinhada CC2030 uma vez por semana, não uso sementes.
TFV - Você fornece vegetais (frutas, legumes e verduras) para os seus pássaros?Quais?
FPS - Sim, todos os dias, uma fruta ou um legume acompanhados por verduras. Frutas – maçã, banana, mamão, pêssego, kiwi, laranja, entre varias outras. Legumes – abobrinha, chuchu, jiló, berinjela, pepino entre varias outras. Verduras – escarola, almeirão e couve.
TFV - Essa mesma alimentação pode ser fornecida para pássaros de competição?
FPS - Sim, pode sim, aliás deve.
TFV - Como é a alimentação da fêmea no período de incubação?
FPS - Ração, frutas, verduras e legumes, só não ofereço a farinhada para evitar diarréia de ninho.
TFV - Você fornece alimentos vivos para os seus pássaros? (tenébrios, cupins, insetos, etc.).
FPS - Sim, só para fêmeas com filhotes (tenébrios e minhocas compradas da minhobox). Para machos muito pouco, quase nunca.
TFV - Descreva para nós como é a estrutura do seu criatório, no que diz respeito a compartimentos da criação, ou seja, às suas instalações propriamente ditas?Os pássaros machos ficam no mesmo ambiente que as fêmeas?
FPS - Tenho uma sala de cria, onde ficam as fêmeas e o macho. Meu criadouro é pequeno, mas muito organizado e limpo, não tenho quantidade, nem me interessa, gosto de ter pouco, mas o melhor.Os filhotes são desmamados, ficam 15 dias num gaiolão e depois vão para pequenos gaiolões separados, cada um em sua gaiola, seja macho ou fêmea.
TFV - O sistema de reprodução do criatório é monogamia ou poligamia?
FPS - Poligamia.
TFV - No ambiente do criatório é feito controle de temperatura? Caso positivo a temperatura fica em torno de quanto graus nas diferentes estações do ano?
FPS - Não faço controle de temperatura o próprio local é preparado pra isso, nunca tive este tipo de problema.
TFV - Como é feita a limpeza dos recintos?
FPS - Diariamente, troca de bebedouros, cochos, frutas, grades de fundo, limpeza da prateleira e recinto.
TFV - Sabemos que na época de choco a umidade é muito importante, pois facilita a eclosão dos ovos. Além disso, o banho tem um papel importante na higiene das aves. Com que freqüência seus pássaros se banham?
FPS - O banho é oferecido diariamente, em todas as fazes da criação.
TFV - A radiação solar é essencial para produção de vitamina D3 e assimilação do cálcio. A incidência de luz, também exerce um papel importante na estimulação da reprodução e muda de penas. Você controla o fotoperíodo no seu criatório?
FPS - Sim, porém sem lâmpadas, o sol entra pela janela do criadouro sem alcançar as gaiolas, e fica la dentro por 2 horas. Só uso as lâmpadas em dias sem sol e de pouca luminosidade.
FPS - Sim, igual. Uso prateleiras e gaiolas de metal, as gaiolas correm na horizontal e a gaiola do galador se encaixa ao lado das gaiolas das fêmeas.
TFV - O seu plantel é formado por quantas fêmeas e machos?
FPS - Um macho apenas e 6 femeas.
TFV - Atualmente a criação se encontra em qual geração F1, F2...?
FPS - Ainda estou montando meu plantel de fêmeas, estou sendo muito criterioso nesse ponto. Na temporada de 2011/12 começarei a afinamento dos sangues, se a IN deixar.
TFV - Vocês têm usados filhotes do próprio criatório como galadores? Vocês evitam consangüinidade?
FPS - Ainda não uso, mas a consanguinidade é primordial para a chegar nos resultados satisfatórios.
TFV - Diga-nos algumas de suas principais fêmeas e galadores, bem como se possível as suas ascendências?
FPS - Flash, Neblina, Úrsula, Carol, faceira, Manu e sem nome. Não tenho de cabeça a arvore genealógica, mas todas são Buriti, Cruel, Maquina, Zandonaide, Catarina e uma que nasceu aqui, Zandonaide e Catarina. Forneço para quem queira o meu CPF para consulta no Buriti para comprovação de veracidade.
TFV - Como é feito o manejo das fêmeas antes do período de cria?
FPS - Começo no final de agosto aumentar a luz uma hora por semana, até completar 14 horas de luz por dia (uso a luz apenas na primeira preparação, depois do primeiro ciclo delas não uso mais esse esquema de luz) junto com o aumento protéico que faço da seguinte forma: na primeira semana farinhada uma vez por semana com ovo cozido trocada 3x ao dia. Na segunda semana duas vezes por dia. trocada 3x ao dia. E assim vai até que a farinhada será fornecida todos os dias, trocada 3x ao dia. A primeira farinhada do dia (depois que estiver fornecendo farinhada todos os dias) uso E-S-E super da vetnil, uma gota por unha por fêmea. Para o macho, farinhada 2x por semana, com ovo cozido. Uma vez na semana coloco E-S-E Super na unha de farinhada, muito passeio, chega do passeio e fica na prateleira ao lado das fêmeas, sem as ver.
TFV - Quando normalmente você começa e para de criar a cada temporada?
FPS - Começo no final de agosto a fazer o manejo reprodutivo nas fêmeas e termino quando vejo que as fêmeas estão pedindo muda e ou estão cansadas, ai é hora de parar.
TFV - Fungos, bactérias e vírus entram nos criatórios das mais diversas formas, com que freqüência é feito exames parasitológicos e bacteriológicos em todos os pássaros de seu plantel?
FPS - Anualmente antes do começo da temporada de reprodução.
TFV - Nos casos de doença você costuma recorrer a assistência veterinária?
FPS - Sim, sempre. Todos deveriam fazer dessa forma, assim tratariam diretamente a causa e exterminariam o problema de vez.TFV - Você mantém algum programa de medicação preventiva?
FPS - Depende, depois dos exames parasitológicos se necessário sim.
TFV - Qual é a media de filhotes você costuma criar por ano?
FPS - Em ano ideal, com anilhas em mãos e tudo mais passa dos 20, porém a tempos não consigo isso, nunca consigo anilhas suficientes, então crio conforme posso.
TFV - Qual tipo de ninho o Senhor utiliza de bucha ou de corda?
FPS - Corda.
TFV - Quais alimentos você fornece para a fêmea alimentar os filhotes?
FPS - Larvas, minhocas, farinhada, ração, frutas, verduras e legumes.
TFV - Alem de uma boa alimentação você utilizam alguma medicação para não perder filhotes, já que no caso da criação de trinca-ferro isso acontece muito?
FPS - A única coisa que uso é nalyt baby na farinhada para as fêmeas tratarem os filhotes.
TFV - Com quantos dias você anilha os filhotes?
FPS - Costumo anilhar aos 9 dias, a anilha não passa tão larga e assim dificulta a fêmea retirar.
TFV - O desmame dos filhotes é feito com quantos dias?
FPS - Costumo tirar com 40 dias.
TFV- Os filhotes quando apartados eles continuam no mesmo ambiente que as fêmeas?
FPS - Não, vão para outro ambiente.
TFV - Após os dois meses de vida quais os cuidados especiais devemos ter com os filhotes? E ate quando devemos manter esses cuidados?
FPS - Eu costumo fazer o seguinte: depois que eles estão comendo bem, faço exames de contagem antibiograma pra ver se esta tudo bem, constatando o problema trato, se não segue a vida. Cada um no seu gaiolãozinho a alimentação farta e igual a de todos.
TFV - Tem algum trinca-ferro de sua criação que esta tendo resultados satisfatórios em torneios? Em caso positivo cite para nós o seu nome, genética e eventual conquista?
FPS - Tem sim, porém não sei o nome, perdi o contato com o dono por motivos pessoais, o passarinho é Zandonaide e Dínamo. 195 cantos nos 15 minutos.
TFV- Qual a dica que você dá para quem quer criar trincas para participar de competições de fibra?
FPS - Procure matrizes em criadouros idôneos que selecionem fibra, seja honesto acima de tudo. Em um meio que a cara de pau reina, faça do seu diferencial a honestidade.
TFV - Qual a mensagem que o senhor deixa para os leitores sobre o futuro da criação do Trinca-ferro em ambiente doméstico?
FPS - Vamos nos aprofundar no manejo dessa espécie que é pouco difundida para colocar a criação de trinca no mesmo patamar em que se encontram o curió e bicudo.
TFV - Existe algum comentário adicional que você gostaria de fazer ?
FPS - Obrigado à você Rafael. Abraço.
Teve alguma dúvida!? Então deixe um comentário!
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Rafael
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Entrevista
Contiuação sobre a bioacústica: Domesticação e Vocalização
Por
Dr. André Bohrer
Marques
Em qualquer condição, natural ou em cativeiro, o maior fator de mudanças evolucionárias é o isolamento de uma população. Na situação de cativeiro a população é intencionalmente isolada pelo homem (Kretchmer & Fox, 1975). A adaptação de uma população selvagem as condições de cativeiro é um processo combinado de mudanças genéticas ao longo de gerações de mudanças acarretadas a cada geração pela ontogênese do animal e a sua experiência em contextos particulares (Price, 1984; Price, 1999; Monticelli, 2000). Os principais mecanismos envolvidos na transição do individuo selvagem para o domesticado são: processos genéticos não seletivos (efeito fundador, endocruzamento, deriva genética); processos de seleção natural relacionados à adaptação ao ambiente biológico (alimentos, doenças, interação com humanos e ambiente social) e ao ambiente físico (clima, abrigo e espaço) e processos ontogenéticos, como aprendizado, aclimação e experiência (Price, 1984; Price, 1999).
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Bioacústica
Continuação sobre a bioacústica: Fisiologia e Vocalização
O autor
Dr. André Bohrer Marques
Uma das funções do canto é a atração da fêmea para fins reprodutivos(Baptista e Gaunt, 1994). Os pássaros cantam mais durante a época reprodutiva, fortemente influenciados pela secreção de hormônios esteróides produzidos nas gônodas e metabolizados no cérebro (Brenowitz e Kroodsma, 1996). Portanto, hormônios esteróides, dentre eles a testosterona, são importantes na ativação do comportamento de cantar em pássaros adultos (Johnsen, 1998).
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Rafael
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